sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ALGOZES DOS BANCOS ESCOLARES

Sabe aquele xingamento incessante de “Nerd”, “Quatro Olhos”, aquelas ameaças do tipo “Vou te pegar na saída?” No Brasil, mesmo para quem trabalha na área de Educação, a palavra ainda pode ser desconhecida – apesar de seus efeitos já terem certamente passado por muitos assentos escolares, da mais pobre a mais rica instituição de ensino. Ofensas e repúdios para com os estudantes, se persecutórios(em que há perseguição), podem caracterizar o Bullying, um fenômeno extremamente contraproducente em termos pedagógicos, em qualquer instituição de ensino, e com a escalada da violência na sociedade, bastante comum, nos dias atuais.
Bullying é um termo utilizado na literatura psicológica anglo-saxônica para designar comportamentos agressivos e anti-sociais, nos estudos sobre o problema da violência escolar. Desde que a instituição escola existe o Bullying está presente, mas apenas há pouco mais de três décadas ele se tornou tema de pesquisas científicas.
Já se constata que o Bullying causa danos à saúde psicológica, física e ao processo de aprendizado do estudante e de seus colegas de sala. “No entanto, a maioria das escolas ainda não está preparada para o seu enfrentamento. Algumas por desconhecimento, outras por omissões, muitas por comodismo e negação do fenômeno”, explica Cleo Fante, autora do livro “O Fenômeno Bullying (editora Verus) e vice-presidente do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar.
Fante explica que se trata de um problema epidêmico, específico e destrutivo. Por isso, é considerado como questão de saúde pública, a qual, portanto, requer esforços e investimentos em programas preventivos e assistenciais. É que um ato de Bullying implica em mais violência em potencial. Pesquisas constatam que 80% das vítimas tendem a reproduzir os maus-tratos sofridos, ou seja, ao invés de uma postura de resistência, os danos para as vítimas de Bullying são tais que ela acaba se tornando mais uma propulsora da violência. No caso de adolescentes, diz Fante, os ataques tendem a se transformar em vandalismo e delinquências.
É na educação infantil e no ensino fundamental que o Bullying se propaga cada vez mais. Porém, a sua intensidade e o agravamento dos episódios aumentam conforme o grau de escolaridade. Casos de Bullying ocorrem inclusive no ensino superior.
Em algumas escolas o tema já está na rotina. No Colégio Palmares, por exemplo, em São Paulo, Zilda Zerbini Toscano, diretora proprietária do Palmares, conta que em sua escola os orientadores de série sempre trabalham esse tema. E quando um caso esporádico ocorre, a ação da direção é imediata. “A conversa não é só com os agressores – eles levam uma senhora bronca e às vezes são até suspensos – mas a conversa é com a classe toda, os alunos que condenam o Bullying precisam pôr suas opiniões e, ao mesmo tempo, temos que resgatar o menino que goza, ele precisa ser gente também”, afirma.
As vítimas são estudantes. E, apesar de no Brasil ainda inexistir legislação específica para o Bullying, os pais ou responsáveis pelos alunos maltratados podem recorrer ao Conselho Tutelar ou ao Ministério Público para prestar queixa, já que o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê medidas protetoras ou sócio-educativas aos jovens com menos de 18 anos que cometem infrações. Mas, o indicado é que antes de mais nada, as vítimas recorram à própria direção das instituições de ensino para cobrar atitudes.

Autora: Karina Gonçalves.
Fonte: Revista Educação & Cultura do Professor Wagner Horta
Edição: Abril 2007 – Ano XIV – Nº 163

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