par em par permitindo que Espíritos Lúcidos – Missionários
de Deus – se integrem ao cotidiano terreno para
ajudar os de longa e às vezes penosa caminhada.
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Ana, do grego Hannah, significa em hebraico graciosidade. Joaquim ou Jeoiaquim, com uma possível variante para Jeconinas, tem o provável significado: Deus Estabeleceu Firmemente. Joaquim era também o nome dado a uma das duas colunas que ficava do lado direito do Templo de Salomão (a outra, Boárs). Ana e Joaquim, dois nomes bem comuns entre nós, distinguiam esse piedoso casal.
Não eram pessoas comuns no sentido amplo; já no sentido restrito alguma coisa os diferenciava dos demais habitantes da aldeia. Muito provavelmente tal fato devia-se à nobreza de caráter e de conduta que faziam brilhar a aureola que lhes revestia as palavras, gestos e atitudes; porém a ausência de descendentes não permitia o refulgir absoluto da felicidade. Estavam casados há algum tempo e não houvera até então a graça de ouvir o lamento ou o riso de uma criança por eles gerada. Isto lhes preocupava sobremaneira porque segundo a tradição a esterilidade sinalizava desonra ou castigo - principalmente para a mulher.
Religioso e praticante o casal não se descuidava de, em preces, solicitar lhes fosse enviado um filho, muito mais para completar-lhes a felicidade que para evitar a de-sonra.
Não sabiam ambos que Deus prepara o berço de acordo com a formação moral dos envolvidos e por confiar nas aptidões destina aos cuidados de anjos tutelares o filho-problema ou o filho-amor certo de que serão orientados e amorosamente cuidados até o limite das posses e forças.
O casal estava sendo preparado para receber Luz Brilhante como filha.
Transcorre o tempo e as preces direcionadas a Deus que, invariavelmente, ecoam nos céus como cânticos de fé, retornam à Ana em forma de sublime poema, pois com imensa alegria, certifica-se que alguém mais lhes viria habitar o lar. Joaquim é imediatamente cientificado da graça e ambos prostram-se agradecidos a Deus.
No ritmo seguro da confiança dia após dia o período de gestação é vencido por Ana, que traz à luz terrena uma menina a quem o casal dá o nome egípcio-hebraico de Myrian, em latim Maria, nome este pelo qual haveria de ficar conheci-da entre os cristãos. Do ponto de vista semântico Maria significa Estrela do Mar e do ponto de vista místico, Luz Brilhante.
A menina crescia em graça e virtudes. Amava os pais com ilimitado querer e através deles aprendeu a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesma. Assimilou todos os ensinamentos bíblicos passados pelos pais e lhes herdou perfeito equilíbrio e dote religioso.
Impulsionada pelo amor a Deus, com apenas três anos de idade, manifesta desejo de a Ele se consagrar. Solicita aos pais o consentimento para essa consagração, mesmo porque teria que transladar-se para o Templo, em Jerusalém, mais precisamente num prédio adjacente que lhe fazia parte. Não se estranhava naqueles idos a tal consagração, pois que comum os pais oferecerem a Deus um de seus filhos. Acontece que Ana e Joaquim só tinham Maria como filha. Como abdicar da ternura ímpar e da grandiosidade espiritual da pequerrucha? Ela não era tão-só o com-plemento do lar; era ela quem fazia daquela casa um verdadeiro lar. Uma ponta-da de tristeza quis machucá-los, mas prontamente se refizeram, concordando com o desejo da garota. Afinal, o retiro seria temporário.
Para a prática da consagração a Deus o filho deixava a casa dos pais e se recolhia num dos dois prédios próprios para isso - uma espécie de internato -, anexo ao Templo, destinando-se um dos prédios aos meninos e outro às meninas. Maria se en-trega ao confinamento e aprimoramento espiritual na idade dos brinquedos e dos folguedos infantis, renunciando ao lar e aos pais numa atitude difícil de ser tomada pelos que nutrem elevado sentimento aos pais. Assim Maria deixa os carinhos e desvelos paternais, embora deles precisados, para dedicar-se aos afazeres espirituais que culminariam com o nascimento de Jesus.
Ana e Joaquim em perfeita sintonia divina compreendem a atitude da filha amada e algo felizes e talvez com uma pontinha de orgulho passam a residir em Jerusa-lém para lhe ficarem mais próximos.
Por seus dotes pessoais e espirituais, Maria torna-se alvo da admiração geral. Granjeia no internato a amizade, simpatia e respeito de suas iguais e de suas mestras.
Contando Maria com treze anos de idade após curta enfermidade seu pai parte para outra vida. Pela primeira vez a garota sente a dor da perda de alguém que lhe tocava de maneira especial o coração. Por mais dois anos permanece no inter-nato, pois com quinze anos de idade havia necessidade de a interna retornar ao lar de origem para se dedicar aos preparativos matrimoniais. Com tal idade Maria que sempre dera mostras de grande beleza, firmara-se definitivamente como uma moça belíssima, de refinados traços e trato; sua beleza maior, entretanto, era a que lhe brotava da alma, envolvendo-lhe o coração, direcionando-lhe os pensamentos e materializando-os em atitudes de extrema compreensão e bondade. Meiga, afável e amorosa; sem dúvida uma enviada de Deus, assim o criam todos que com ela partilhavam o tempo ou momentos.
Na segunda atitude de renúncia, quando no Templo, Maria faz votos a Deus de perpétua castidade. Desistia, assim, de casar-se. Algo difícil para uma moça da época. Todas desejavam o matrimônio e, por consequência, filhos e o desejo maior a inspirar cada uma é que um deles fosse o Messias esperado.
Liberada do Templo retorna juntamente com sua mãe até Nazaré, local em que viria conhecer o carpinteiro José, que lhe tocou de modo especial o coração.
Com o tempo este lhe propõe núpcias mas ela lhe fala dos votos e da impossibilidade de quebrá-los. José compreende e aceita o argumento de Maria e com ela mantém o entrelaçamento de respeitosa amizade.
Certa feita, estando Maria recolhida em oração em seus aposentos, sente a presença de mais alguém no recinto. Algo surpresa constata a presença de um ser an-gelical anunciando-se como Gabriel - o enviado de Deus. Prontamente o visitante recita: “Salve Maria! Bem-aventura és entre as mulheres”.
Maria se sente admirada e absolutamente surpresa. Sem dúvida que quaisquer das mulheres da Judéia gostariam de ouvir tal saudação, pois que tinha a melodia e a tonalidade da anunciação do Messias, mas porque ela?
Maria lembra a Gabriel que houvera feito votos a Deus, diante do que não cogitava coabitar com varão. Gabriel lhe declara que para Deus sua união com al-guém em especial se revestia de suma importância para a humanidade. Para tan-to, em nome de Deus, os votos que houvera feito seriam considerados definitivamen-te suspensos. Bastaria seu consentimento.
Maria pergunta quem seria o escolhido para lhe fazer par. José! Foi a resposta do enviado. E acrescenta: Uma vez que aceites esta divina missão irei ter com ele para rogar-lhe participação nesses desígnios.
Maria finaliza o diálogo com estas palavras: Seja feita a vontade do Pai que me une de corpo e alma a quem nutro nobres e profundos sentimentos.
Os esponsais se realizam com simplicidade. Após curto período em casa de sua mãe Maria se transfere em definitivo com José ao seu novo lar. Dessa união surgem os filhos: Jesus, Tiago, José, Simão e Judas (este com nome trocado por alguns religiosos para Jonas), além de filhas que não foram jamais nomeadas e enumeradas.
Maria e José continuam habitando a mesma aldeia de Nazaré, em pequena casa feita de barro com telhado achatado, de um só quarto, depois ampliada para a-comodar os filhos. Viviam felizes e não obstante os sobressaltos que se viu obrigada a suportar, Maria sempre revelou ânimo para lutar, a princípio com o amparo do marido e depois sozinha em sua viuvez, mesmo porque pouco antes do primogênito iniciar a vida pública José falece.
Diz o Evangelho da iluminada atividade de Jesus, um dos filhos desse ilustre casal como também de seu martírio, após o qual Maria passa a dividir a vida entre Nazaré e Jerusalém, provavelmente hospedando-se na casa do apóstolo João, a quem Jesus solicitara dispensasse os cuidados de mãe.
Sozinha para manter seus demais filhos não questionou a ausência do companheiro querido levado pela morte, assim como aceitou o martírio do Filho como desígnio divino. Permaneceu fiel à família e sempre honrou Deus acima da própria vontade.
Lucas, médico de origem grega, notificado do ministério de Jesus e sensibilizado por Suas palavras, atitudes e sacrifício reportadas por biógrafos anônimos e prega-dores carismáticos, se propõe escrever um livro a respeito de sua trajetória e é Maria quem lhe fornece, quando solicitada, parte das informações que carece. Assim sur-ge, pela ordem entre nós estabelecida, o terceiro Evangelho.
Não se tem uma idéia exata da data do desenlace de Maria mas por ocasião da dispersão dos apóstolos, ocorrida por volta do ano 42 Maria já não mais habitava entre nós; entrementes, sua alma ficou luzidiamente marcada pelas atitudes, destacando-se, em especial, a renúncia ao lar e aos pais em reverência a Deus, internando-se no Templo; depois a renúncia ao Filho querido em favor da humanidade.
Estes são os vestígios inesquecíveis de uma mulher inesquecível, exornada pelo mais puro amor.
MARIA DE NAZARÉ
NOS CÉUS E NA TERRA: ANGELUS DEI - ANJO DE DEUS.



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