segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

EM DEFESA DA VIDA

A VIDA MERECE RESPEITO DO MAIS SIMPLES SER
DA NATUREZA AO ESPÍRITO PURO, JÁ EM HARMONIA
COMPLETA COM O CRIADOR; DA MENOR PARTÍCULA DO
COSMOS AOS HABITANTES DE OUTROS PLANETAS,
TUDO É VIDA, A QUAL MERECE SER REVERENCIADA.
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   Defender a vida em todas as instâncias , é defender a si próprio, parte integrante do Plano de Deus.
   Por milênios ela tem sido espezinhada, massacrada , desvalorizada. Ainda hoje, ficamos estarreci-dos diante das milhares de ações destruidoras contra a Natureza; perante a extensão da fome, da pobreza, da doença e da violência de toda a sorte, praticada , indiscriminadamente, contra homens, mulheres e crianças em vários pontos do mundo, num flagrante desrespeito aos direitos humanos.
   O refinamento da crueldade vai ao ponto de se movimentarem forças e argumentos a favor da legali-zação de formas de interrupção do curso natural da vida. São propostos , como direitos legítimos do Homem, o aborto, o suicídio, a pena de morte, a eutanásia.
   Na verdade, se a toda ação corresponde uma reação, às ações negativas contra a vida correspondem reações positivas a favor dela. E assim que vemos surgir, dia a dia, grupos e pessoas de todos os níveis lutando pela sua valorização; são estudantes, cientistas, políticos, religiosos, líderes famosos e milhares de anônimos engajados em atividades contra a fome, contra a miséria, a favor da educação, pela distribuição justa dos bens da Terra; contra o desperdício, pela diminuição da violência; pela melhoria da qualidade de vida...
   Em silêncio ou ostensivamente, solitária ou solidariamente, a Humanidade vai se organizando para, transformar a Terra num planeta mais justo, mais fraterno, mais feliz e mais aprazível.
   Com relação à preservação da natureza já estão sendo tomadas medidas eficientes e auspiciosas; rios como o Tâmisa, que era considerado um dos mais poluídos do mundo, hoje voltam a ser piscosos e suas águas, cristalinas. O mesmo destino terá o nosso Tietê. O que o Homem, durante milênios destruiu, irá reconstruir, mesmo porque ele é co-criador de Deus. Espíritos idealistas como Burle Marx, que foi considerado um dos maiores paisagistas do nosso orbe, irão reencarnar para desempenhar esta urgente e importante tarefa.
   Aos que julgam estarmos vivendo uma era de tribulações sem precedentes lembramos que os ciclos evolutivos do planeta ocorrem em período de 25.000 anos, tempo infinito em relação à média de vida de um ser humano que é de 60 a 80 anos.
   Se, pois, olharmos as turbulências deste final de século com olhos fixos somente no presente, a visão é desanimadora. Ao recordarmos, porém que tudo no Universo se encadeia, e que os acontecimentos felizes e infelizes são partes de um mesmo processo evolutivo; se, ao repassarmos os períodos da História, verificarmos que os episódios de violência eram bem mais cruéis, que o desrespeito aos direitos humanos era intenso, nossa visão se iluminará diante da aura de evolução que as ações atuais prenunciam.
   O progresso, a paz, a regeneração do planeta Terra, passam obrigatoriamente pela renovação moral do Homem. Elevando-se, moralmente, ele se liberta das imperfeições que o impedem de cultivar a vida, de defendê-la e dar-lhe o sentido que merece.
   O Espiritismo cumpre, neste aspecto, significativo papel, ao revelar que a vida transcende ao período da presente encarnação e que todos os nossos atos e pensamentos reagem uns sobre os outros.
   É importante, pois, analisarmos bem cada ato nosso, quer individual ou coletivo, que venha a interfe-rir no curso natural da vida.
O  Direito de Nascer

   O mais elementar direito humano é o de nascer. Somente após o nascimento é que o Homem adquire os demais direitos que farão dele um cidadão participante e atuante, na proporção de seu merecimento e esforço.
   A ciência e a religião já caminham juntas, comprovando a primeira, o que a segunda afirma há muito tempo: o feto é um ser com sentimentos e sensações , uma vida que se estabelece desde o momento da fecundação.
   O Espiritismo vai mais longe ao afirmar que o Espírito vinculado àquele embrião já passou por inú-meras encarnações e passará, certamente, por inúmeras outras. Cada existência é, para ele, oportunida-de preciosa de aprimoramento de si próprio, de convivência com os demais seres à sua volta. O aborto, ao contrário, é um acontecimento de consequências altamente negativas: uma agressão que reverterá em danos físicos e morais que influenciarão, fortemente, sua próxima encarnação
   Ao abortá-lo, a mãe o impede de realizar a tarefa para a qual foi longamente preparado e quebra o acordo realizado na Espiritualidade para que voltassem à Terra como mãe e filho, apoiando-se mutuamente em suas experiências. Ela desperdiça assim, a oportunidade de aperfeiçoar-se, de melhorar seu relacionamento com aquele a quem está ligada há várias vidas, sob as mais diversas formas e a quem, certamente, deve muito em termos morais/espirituais.
   Da mesma forma, médicos, pais, parentes e outras pessoas, coniventes ou participantes do aborto, sofrem, mais cedo ou mais tarde, terríveis conseqüências dos mais variados matizes: moléstias, angústias, depressões aparentemente sem motivo, desequilíbrios, obsessões. Isto ocorre com freqüência, principalmente se o Espírito abortado for vingativo, cruel, revoltado e quiser revanche do crime praticado contra ele num momento em que, indefeso, nada podia fazer para se salvar.
   As correntes que se levantam em prol da legalização do aborto levam em conta vários argumentos, entre os quais se destacam certos direitos da mulher: direito de decidir sobre o próprio corpo, de planejar sua família, de querer ou não ser mãe, de manter-se esbelta e livre, etc. A maioria destes direitos, ainda que legítimos, esbarram no direito inalienável do Ser, existir, evoluir.
   Somente em raríssimos caso, o aborto pode ser aceito. Nisto também, há concordância entre a ciência e a religião: quando a gravidez oferece risco à vida da mãe é preciso optar pelo ser que existe há mais tempo, quando se encontra em plena tarefa evolutiva.
   Neste caso, a Espiritualidade Maior aplica recursos que permitam ao espírito do filho desligar-se da mãe de maneira menos traumática possível e aguardar uma nova oportunidade de reencarnar-se.
   A questão do aborto oferece-nos vários aspectos que, certamente, merecem uma abordagem mais minuciosa. Enfatizamos, porém, que a principal solução para minimizar este grave problema é a educa-ção moral e sexual. Essa educação, com base em informações corretas e claras, deve ser dirigidas aos jovens, antes que iniciem a vida sexual, mas deve, também, ser estendida aos adultos, muitos dos quais não tem uma visão adequada do assunto.
   Defender o feto é defender a vida.
O Direito ao Suicídio

   Na onda das legalização de atos contra a vida há quem se pronuncie a favor do direito de suicídio. Segundo essas pessoas se a vida de alguém apresenta problemas de difícil solução, doenças irreversíveis e o proprietário quer desistir dela, essa é uma decisão particular, inerente ao livre-arbítrio.
   A estatística dos suicídios, que ocorrem até mesmo entre adolescentes e crianças, é alarmante . Suas causas principais são a crise econômica, o stress, a depressão, dentre outras.
   Ninguém tem o direito de interromper a própria vida. Ela é dom que nos foi entregue por Deus para evoluirmos. Se, em alguma fase, apresenta dificuldades, certamente são formas de fazer-nos avançar no trajeto programado para cada um. Sua duração é definida somente pelo Criador.
   Aquele que julga libertar-se de suas dores através do suicídio depara-se, após o desenlace, com pavorosa realidade. A literatura espírita, das obras básicas aos romances, está repleta de informações so-bre a condição deplorável dos suicidas que ficam presos ao corpo até que o tempo normal determinado para suas existências expire.
   Fato a destacar é que, no Plano Espiritual, são considerados suicidas, também, aqueles que negligenciam a própria vida, através dos vícios ou do descuido voluntário com a saúde. André Luiz, em NOSSO LAR, conta-nos que ele próprio assim foi considerado ao desencarnar. Embora fosse, na Terra, um homem de bem, isto ocorreu devido aos excessos da gula e do álcool, encarados por ele e pela socieda-de da época como hábitos absolutamente normais.
   A par dos recursos terapêuticos, válidos para auxiliar o suicida em potencial, a crença na sucessão das existências e o conhecimento da lei de ação e reação trazem nova perspectiva à vida, tranqüilizando os que sofrem, preenchendo seus corações com a esperança de dias melhores, confiantes na infinita misericórdia de Deus.
Preservar-se, é defender a vida.

O Direito de Morrer

   Um fato de conhecimento geral no mundo é que todos nós morreremos um dia. Desse dia e dessa hora não se conhece ninguém que tenha escapado.
   Na Doutrina Espírita a morte não é considerada um fim, mas uma passagem para outro plano evolutivo, já que o que morre é o corpo, embalagem gasta pelo tempo ou avariada por alguma circunstância. A essência permanece, eternamente, e continua sua jornada para o Alto.
   É também postulado da Doutrina que as doenças são resultantes de nossas ações passadas, quer nesta vida, quer noutras. Sua duração, evolução, cura e, até mesmo, o desencarne provocado por elas são recursos colocados a serviço do resgate de débitos e consequente aprimoramento do Espírito.
   Ninguém, pois, tem o direito de interromper uma vida, considerada terminal , ainda que sob o argumento de aliviar o sofrimento daquele paciente. Quem conhece os insondáveis caminhos do Senhor? Quem é capaz de prever, no presente estágio da ciência, se aquela pessoa se recuperará total ou parcialmente? Quem poderá saber se a longa e dolorosa enfermidade não é a sua redenção, o passo decisivo para uma existência futura mais sadia, mais produtiva?
   Os exemplos do que se diz acima são freqüentes e ganham destaque na imprensa: doentes irrecuperáveis que obtém a cura, mães clinicamente mortas que dão à luz crianças normais, com o auxílio da medicina: pacientes em estado de coma que permanecem longos períodos "vivos" após desligados os aparelhos destinados a mantê-los estáveis...
   Há que se considerar ainda que, a maioria das pessoas em estado grave ou em coma, embora não consigam comunicar-se, percebem e ouvem o que se passa à sua volta . O natural instinto de conservação, o desejo de viver permanecem em seu consciente e repudiam a eutanásia. Esta, se consumada, vai levar esse Espírito às mesmas condições que o feto, vítima de aborto.
   As consequências morais e espirituais neste caso são as mesmas.
   Respeitar o direito de morrer em paz, no momento aprazado por Deus, é defender a vida.
   A Defesa da Vida é Questão de Educação.
    Respeitar a vida, preservá-la, defendê-la, é dever de todos nós, individual ou coletivamente. É também, na atualidade, questão de cidadania e educação.
   É preciso reaprender a amar a vida em suas diversas manifestações. Reapreender é educar-se. E-ducação e aprendizado lembram crianças. Crianças lembram lar, família, sem dúvida a célula principal da educação. Embora as transformações do mundo tenham influenciado a família neste último século, abalando-lhe as estruturas como um terremoto, desorganizando-a, atirando-a em ilusórias formas de modernização, é chegada a hora de reavaliá-la, de reconduzi-la ao seu verdadeiro lugar.
   É no lar, na família, que o ser burila seus sentimentos e aprimora seus talentos. É através da visão que ela lhe dá da vida e do mundo, que ele forma sua própria visão e modela seu comportamento. A escola, o trabalho, o lazer, a pátria formam a estrutura externa complementar à família e, como tal, devem ser encarados.
   É preciso, pois, lutar pelas ações que busquem dar à família condições dignas de prover o sustento de seus membros, de mantê-los juntos harmoniosamente, de oferecer-Ihes meios adequados de educação. Acima de tudo é preciso valorizar a educação moral, como da valorização da vida. Somente o Homem moralmente educado é capaz de apreciar-lhe o valor.
   Viver em família é respeitar, preservar e defender a vida.
A u t o r: Ignorado
F o n t e: Revista Espírita Allan Kardec - Julho-Setembro/1999

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