BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO... Autor: Gérson Gomide
Estou propenso crer que as palavras de Humberto de Campos (Espírito) sejam muito mais uma projeção baseada nos costumes e na época em que foram trazidos a lume, do que uma destinação espiritual ao País. Se se trata de simples projeção pode não vingar em virtude de eventuais, variadas e singulares mudanças sem que isso possa representar erro de cálculo. Se destinação espiritual, fica a minha pergunta: Será? Tal questionamento não advém simplesmente do descrédito; formulo-a baseado em outras que me faço sem imaginar respostas.
Os apressados, que têm explicação para tudo, dirão que o conceito espaço/tempo difere entre as dimensões de vida, com o que concordamos, só que no passo em que o nosso povo caminha, a esperança de uma transformação a médio prazo é remotíssima ou dar-se-á por via de muito sofrimento e violência ou então a previsão é para daqui a alguns milhares de anos.
Na época em que se disse que o Brasil seria o (eventual?) coração do mundo e Pátria do Evangelho as pessoas eram bem educadas nos mais variados níveis de convivência e também se firmavam como corteses, solidárias, fraternas. E hoje? Melhoramos ou pioramos o comportamento social, profissional e familiar? Pelo que notamos nos gestos, frases, atitudes, comportamento e costumes, pioramos! Somos pálida sombra do que eram nossos antepassados. Não se tem educação, respeito, dignidade, e isso tristemente nos certificamos quando alguém desapontado comenta: “antigamente não era assim...” Por isso, sem pejos formulamos perguntas como estas:
É (ou será) Pátria do Evangelho o país em que os políticos destinam seus eleitores à desilusão, fome, suicídio, crimes?
É coração do mundo o país onde a mulher, o ser sutil e sensível, insiste no “direito” de igualar-se ao homem, viciando-se nas mais absurdas sensações?
É Pátria do Evangelho o país onde, por simples comodismo, se confinam pais e avós em de-pósitos de velhos com o rótulo de “casa de repouso”?
É coração do mundo o país onde se assassina alguém por furto ou desavença de trânsito?
É Pátria do Evangelho o país onde associações mantêm crianças nas ruas trombando com o crime para poderem auferir dividendos de órgãos públicos e particulares?
É coração do mundo o país onde os pais ensinam os (as) filhos(as) a levar vantagens, sedu-zindo, se necessário?
É Pátria do Evangelho o país onde o próprio Evangelho é usado para enriquecimento e vai-dade de pretensos representantes de Deus?
É coração do mundo o país em que a televisão ensina que a vida é uma droga, incentivando a prática sexual, os vícios imorais, a promiscuidade?
É Pátria do Evangelho o país em que os filhos insistem em não obedecer o 4º mandamento - honrar pai e mãe -, até mesmo matando-os, como de resto os pais não respeitam nenhum ou-tro?
É coração do mundo o país onde a preocupação com o corpo faz esquecer a existência da alma?
É coração do mundo o país onde o povo que produz a riqueza dela está impedido de usufru-ir?
É Pátria do Evangelho o país onde o crime compensa e a lei é para ser violada e quanto mais poderoso seja o violador mais bajulado será?
É coração do mundo o país onde se estimula a desonestidade, corrupção e oportunismo; onde ladrão é só aquele que é descoberto e que ainda assim continua impune se é de proje-ção política ou social?
É Pátria do Evangelho o país em que se “estica” o imposto ou que acorda com um imposto a mais para onerar o minguado orçamento do “contribuinte”?
É coração do mundo o país onde o carnaval significa a apoteose dos sentidos, ocasião em que as pessoas se revelam por meio de álcool, droga e sexo?
É Pátria do Evangelho o país onde quase todos se sujeitam ao risco de assaltos, sequestros, roubos, estupros, assassinatos sem que os responsáveis pela segurança e bem-estar levantem sequer uma palha?
É coração do mundo o país onde politicamente se mantém a miséria regional para auferir lu-cros com a desgraça popular?
É Pátria do Evangelho o país onde o governo provoca derrama em algumas bolsas para fa-vorecer outras através de óbolos generosos?
É coração do mundo o país cujo povo vive sob inércia covarde, sem ânimo para reinvidicar direitos consagrados na Carta Magna?
É Pátria do Evangelho o país em que o Pavilhão Nacional só é empunhado, ostentado, cultu-ado em dias de jogos da Copa do Mundo?
É coração do mundo o país onde não se faz uso ou se descartou o respeito e a dignidade aos desvalidos, aos doentes, aos senis, enfim, aos que não possuem padrinhos ou madrinhas?
É Pátria do Evangelho, o país onde os moços zombam dos idosos, onde idosos tem os mais jovens como adversários?
Perdoem-me a descrença, mas não posso crer em coração do mundo e Pátria do Evangelho um país onde circulam crianças órfãs de pais vivos; idosos sem descendentes responsáveis; onde filhos tiram a vida aos pais e vice versa; onde crianças e doentes morrem na porta dos hospitais públicos; onde as mulheres são agredidas até a morte por antigos companheiros; onde os poderosos massacram os pequeninos; onde se lê sobre impunidade política, sejam quais forem os delitos; onde o autor de crime hediondo não é punido como deveria sê-lo; onde o marginal desumano tem os direitos de humanos e às vítimas apenas resta a obrigação de arrostar sua dor e miséria; onde se toma conhecimento de rombos escandalosos, orçamentos enganosos, fraudes gigantescas, de crimes sociais e políticos cujos responsáveis de uma forma ou de outra se safam ileso ou apenas com poucos arranhões; onde a prisão não foi feita para ricos; onde tais prisões, quando raramente ocorrem, se tornam provisórias e privilegiam os diplomados por Universidades; onde se assiste a tragédia rolar morro abaixo soterrando pobres criaturas. Não creio e recuso crer que “Deus é brasileiro”. Os malfeitores que criam desditas, os coniventes que deixam criá-las, os magistrados que não punem quem as cria ou delas se locupletam, os pusilânimes que podem, mas não hasteiam a bandeira do basta, estes sim, são brasileiros.
Não adianta justificativas de que “lá fora é igual”; o resto do mundo não está assim e ainda que estivesse tal fato não nos permite o direito de reproduções demoníacas. A verdade é que importamos as banalidades e deficiências de outros povos sem levarmos à preocupação de assimilar os seus requintes de civilidade. Ademais, se pleiteamos algo esforcemo-nos em diferenciar nossas aptidões tornando melhores as nossas atitudes.
Não sei o que nos relegou a esta situação e o que nos dita tal ritmo. A culpa é da televisão, habilmente manipulada, do orgulho, da ganância, da vaidade? Talvez da permissividade, das sensações bastardas? Ou é a somatória de tudo isto? Ou é o resultado da pena de desterro imposta a Deus?
Brasil, coração do mundo, Pátria do Evangelho. Presentemente você acredita?


Nenhum comentário:
Postar um comentário