►►Tenho ouvido o que dizem aqueles profetas, proclamando mentiras em meu nome (...) (Jeremias 23.25).
No chamado meio religioso, temos percebido a existência, cada vez maior, de cargos e títulos, demonstrando a existência de uma hierarquia espiritual humana sob a qual muitos angustiados buscam refúgio e conforto, crendo que se conseguirem o toque, o olhar ou a oração do Bispo ou do Apóstolo, terão seus problemas resolvidos mais rapidamente.
Sinceramente, tudo isso é uma aberração e vai de encontro à Palavra de Deus, ou seja, se choca com tudo o que o Senhor Jesus nos deixou: “(...porque aquele que entre vós for o menor de todos, esse é que é grande”. (Lucas 9.48 b).
Deus, em sua palavra revelada (Colossensses 2.18.19), nos fala que nos últimos dias iriam acontecer esses fatos: homens iriam assumir posições de árbitros (superiores) sobre os demais com pretexto de humildade, baseando-se em visões procedentes de mentes ardilosas que não reteriam os ensinamentos do verdadeiro “cabeça da igreja” (Jesus Cristo), este sim o único capaz de suprir e unir as juntas e ligamentos do corpo (povo de Deus) e produzir o crescimento que procede de Deus.
Título nenhum é garantia de que quem o utiliza seja verdadeiramente o enviado de Deus. No Antigo Testamento onde os verdadeiros profetas eram vozes solitárias, encontramos várias referências sobre o mau uso do termo autoridade espiritual.
O profeta Jeremias, no texto acima mencionado está se colocando contra aqueles que ostentavam o título de profeta e anunciavam aquilo que era da conveniência das elites religiosas e políticas da época. Anunciavam dias de paz e prosperidade, fazendo com que o povo deixasse de ouvir a Palavra de Deus e optassem ouvir a palavra, mais facilmente digerível, de homens.
Contra esses “falsos profetas” o profeta de Deus se levanta , exortando ao povo que: “não deis ouvido “as palavras dos profetas que vos enchem de vãs esperanças”.
Vivemos numa época em que, ao simples sintonizar do rádio, da TV e da internet em programas religiosos, é possível vermos e ouvirmos “servos de Deus”, anunciando com grande eloquência as inúmeras possibilidades de milagres, paz e prosperidade.
Como tem sido horrível percebermos que a cada novo instante surgem novos “profetas de Deus” oferecendo soluções para os problemas de saúde mais diversos, até a possibilidade de uma polpuda conta bancária, carros e casas maravilhosas.
Se não tomarmos cuidado, estaremos voltando no tempo das poções mágicas, se lá já não estivermos. Infelizmente, alguns cristão estão vivendo a beira da insanidade total, alimentados e movidos por uma ingenuidade espiritual, ou ganância material.
É certo que vivemos tempos difíceis e confusos e uma nefasta consequência deste nosso tempo de coisas instantâneas e descartáveis é acharmos que tudo na vida a-contece como num passe de mágica, e acima de tudo em nosso tempo determinado, que é sempre urgente, afinal não queremos “perder tempo”.
Não precisamos mais perseverar com nada, nem com a fé, nem com família, muito menos com Deus; não necessitamos ancorar nossa esperança no Senhor e sim confiar em pseudos “enviados”. Deus nos convoca para uma relação de fé em Jesus Cristo e destituída de ídolos humanos.
Transcrito do Jornal "Diário de São Paulo", edição 24 de julho de 2010
(O autor é pastor da Igreja Presbiteriana Independente de Bela Vista – Osasco)



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