sexta-feira, 25 de novembro de 2022

POR FAVOR, DESCULPE - Autor Gérson Gomide

 POR FAVOR, DESCULPE

 

   Um pedido de desculpa ocasionado por uma atitude de contato ou de precipitação verbal é a resultante de atitude educada. Geralmente tal pedido tem pouca vivacidade e quase sempre é mecânico, mas serve para amenizar o mal-estar e evitar discussões.

 

   O pedido de desculpa, ainda que vacilante, pálido ou apático é indício de que o indivíduo já adquiriu percepção de convivência; entretanto, existem os que não pedem desculpas, mesmo que a casa desabe; estes são os tradicionais homúnculos mal-educados e inconvenientes numa linguagem mais precisa.

 

   A educação comportamental, ainda que básica, alinha o pedido de desculpa à concessão do indulto. Portanto, tão danoso quando não pedir desculpa é a não concessão do perdão, solicitado ou não.

 

   Nos meios mercantis, políticos, administrativos, onde haja relação mútua, mando ou interdependência, quando da ocorrência de algo grave provocado pela incúria ou descontrole emocional, exige-se pedido público de desculpa, pairando ainda a ameaça de ação civil, penal e indenizatória, que fixará a causa e a correspondente culpa prevista na lei. Tal exigência deve se formalizar como pedido impertinente do ofendido e necessário à satisfação de necessidades ou reembolso moral.

 

   Via de regra o pedido público de desculpa se viabiliza através de jornal, revista, rádio ou televisão, caracterizando-se como algo de suma importância e relevância, pois que o prejuízo ou ofensa provém da inobservância e precaução necessárias, conforme regulam as leis, regras, convenções, estatutos, bem como a convivência e contato esporádico ou frequente. O provocador se vê obrigado a admitir e confessar publicamente o erro, imprudência, incompetência, ausência de bom-senso ou menoridade comportamental. Em todos os sentidos, é humilhante!

 

   Por outro lado, o perdão é subsequente em quase todas as ocasiões ao pedido de desculpa. Certamente, os estudiosos dos Evangelhos chegaram à conclusão que na época de Jesus o perdão não se incluía no conjunto de conselhos entalhados pelos sacerdotes de então, tanto assim que o fariseu admirado pelo perdão à pecadora indaga quem seria aquele que até perdoava. Em outra situação, questionado por Pedro, que indaga quantas vezes se deve perdoar, responde que em verdade se deve perdoar não somente 7 vezes 7, mas sim 70 vezes 7, numa extensão infinita do numeral 7 – que em si é o resultado completo e a perfeição de um ciclo. Em outra ocasião carinhosamente é solicitado à pecadora que siga seu caminho e não peque mais. E ainda em outra ocasião, na parábola do mau credor, conta a história de um devedor que, mesmo com o perdão de sua dívida, nega-se a perdoar o débito de alguém que lhe era devedor.

 

   Nas arenas romanas, o Imperador concedia, a bel prazer, perdão ao gladiador vencido como se isso se revestisse de graça divina, pois que divino se considerava ou era demagogicamente considerado. Esta atitude pretendia caracterizar a indulgência majestática e servia como agrado à plebe ignara, como soe acontecer ainda hoje entre os que detêm o poder.

 

   O perdão foi a lição mais que perfeita repassada à humanidade.

 

   Já o pedido de desculpa é a redenção do faltoso e o correspondente indulto é a nobreza sob feição humana, que fornece o endereço completo do coração de quem perdoa.

Gérson Gomide

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