POR FAVOR, DESCULPE
Um pedido de desculpa ocasionado por uma atitude de contato ou de
precipitação verbal é a resultante de atitude educada. Geralmente tal pedido
tem pouca vivacidade e quase sempre é mecânico, mas serve para amenizar o
mal-estar e evitar discussões.
O pedido de desculpa, ainda que vacilante, pálido ou apático é indício
de que o indivíduo já adquiriu percepção de convivência; entretanto, existem os
que não pedem desculpas, mesmo que a casa desabe; estes são os tradicionais homúnculos
mal-educados e inconvenientes numa linguagem mais precisa.
A educação comportamental, ainda que básica, alinha o pedido de desculpa
à concessão do indulto. Portanto, tão danoso quando não pedir desculpa é a não
concessão do perdão, solicitado ou não.
Nos meios mercantis, políticos,
administrativos, onde haja relação mútua, mando ou interdependência, quando da
ocorrência de algo grave provocado pela incúria ou descontrole emocional,
exige-se pedido público de desculpa, pairando ainda a ameaça de ação civil,
penal e indenizatória, que fixará a causa e a correspondente culpa prevista na
lei. Tal exigência deve se formalizar como pedido impertinente do ofendido e necessário à satisfação de necessidades ou reembolso moral.
Via de regra o pedido público de desculpa se
viabiliza através de jornal, revista, rádio ou televisão, caracterizando-se
como algo de suma importância e relevância, pois que o prejuízo ou ofensa provém
da inobservância e precaução necessárias, conforme regulam as leis, regras,
convenções, estatutos, bem como a convivência e contato esporádico ou frequente.
O provocador se vê obrigado a admitir e confessar publicamente o erro,
imprudência, incompetência, ausência de bom-senso ou menoridade comportamental.
Em todos os sentidos, é humilhante!
Por outro lado, o perdão é subsequente em
quase todas as ocasiões ao pedido de desculpa. Certamente, os estudiosos dos
Evangelhos chegaram à conclusão que na época de Jesus o perdão não se incluía no
conjunto de conselhos entalhados pelos sacerdotes de então, tanto assim que o
fariseu admirado pelo perdão à pecadora indaga quem seria aquele que até perdoava.
Em outra situação, questionado por Pedro, que indaga quantas vezes se deve
perdoar, responde que em verdade se deve perdoar não somente 7 vezes 7, mas sim
70 vezes 7, numa extensão infinita do numeral 7 – que em si é o resultado
completo e a perfeição de um ciclo. Em outra ocasião carinhosamente é
solicitado à pecadora que siga seu caminho e não peque mais. E ainda em outra
ocasião, na parábola do mau credor, conta a história de um devedor que, mesmo
com o perdão de sua dívida, nega-se a perdoar o débito de alguém que lhe era
devedor.
Nas arenas romanas, o Imperador concedia, a
bel prazer, perdão ao gladiador vencido como se isso se revestisse de graça
divina, pois que divino se considerava ou era demagogicamente considerado. Esta
atitude pretendia caracterizar a indulgência majestática e servia como agrado à
plebe ignara, como soe acontecer ainda hoje entre os que detêm o poder.
O perdão foi a lição mais que perfeita repassada
à humanidade.
Já o pedido de desculpa é a redenção do
faltoso e o correspondente indulto é a nobreza sob feição humana, que fornece o
endereço completo do coração de quem perdoa.
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