sexta-feira, 25 de setembro de 2009

CANÇÃO DO VENTO E DA MINHA VIDA


O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas

O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos
E varria os amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

Manuel Bandeira
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Sobre Bandeira

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho (1886 – 1968) teve seu primeiro poema, um soneto em alexandrinos, publicado na primeira página do Correio da Manhã, em 1902, no Rio de Janeiro. Cursou Arquitetura, na Escola Politécnica, e Desenho de Ornato, no Liceu de Artes e Ofícios, entre 1903 e 1904, mas precisou abandonar os cursos devido à tuberculose. Depois de algumas estações na Europa, onde tomou contato com as vanguardas francesas, passou a viver no Rio de Janeiro, onde publicou “A Cinza das Horas”, em 1917, Lecionou no Colégio Pedro II, entre 1938 e 1943, e na Faculdade Nacional de Filosofia, entre 1943 e 1956. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 1940.


Fonte: Revista Educação & Cultura do Professor Wagner Horta
Edição: Abril 2007 – Ano XIV – Nº 163

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