quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

TRIBUTO À VIDA - Autor: Gérson Gomide

       Poucas pessoas sabem definir o que é a vida. Em sentença resumida podemos adiantar que a vida é o mais belo, portentoso e fiel retrato do entusiasmo, não importando qual seja o estilo e a cor da moldura. Em contrapartida, pronunciam-se sentenças que condenam a vida como sendo isto ou aquilo, sempre de maneira depreciativa e de acordo com os sintomas, efeitos, realizações ou decepções que visitam ou permanecem no indivíduo.
       Para os que bendizem a vida, sobram-lhe razões para que assim o façam; entretanto, dizer que a vida é bela ou boa, não quer dizer que as ações dos que assim a julgam sejam belas ou boas. Por outro lado, os que não a bendizem e chegam ao extremo de maldizê-las não aprenderam, não obstante as experiências e informações, que ela é o reflexo do que somos, do que falamos e de como agimos.
       Tem-se por hábito dividir a vida em três estágios ou tempos: passado, presente e futuro. Na composição real as experiências vividas correspondem ao passado e as perspectivas correspondem ao futuro. Na prática, porém, a vida é o presente assimilado à vibração, força e encantamento do momento que se respira.
       Sem dúvida que a vida é a composição ou o resultado do que se faça por e para si ou por e para outrem, e em todos os instantes é carregada de sabedoria própria e, por que não com sabor diferenciado, especial? E já que a ela atrelamos o sabor, por que não compará-la ao bolo? - não que seja o próprio.
       Não nos descuidemos de que para se fazer um bolo à farinha – elemento principal -, junta-se na medida certa, ovos, açúcar, fermento, leite, manteiga, enfim, todos os componentes necessários e essenciais a tal finalidade; o forno é o último estágio do preparo.
       Se o confeiteiro não aguardar com paciência o tempo indicado, quem o degustar não lhe sentirá o sabor perfeito, porque a massa não atingiu o estágio ideal.
       Se o confeiteiro for displicente, irá deixar passar da hora e em consequência o bolo ficará queimado; não é necessário dizer que o gosto ficará adulterado.
       Finalmente, se o confeiteiro seguir a receita e ficar atento, o bolo terá sabor de bolo. O Eclesiastes diz em seus versos que “Debaixo do céu há momento para tudo, e tempo para cada coisa”. Acrescentamos: O tempo é aquilo que dele fazemos.
       Talvez possamos, neste instante, colocar a vida como paráfrase da farinha, à qual acrescentamos a substância de nossas atitudes, emoções, dedicação e mais e mais ingredientes que a tornarão ímpar.
       Isso mesmo, a vida em si se apresenta simples e suscetível de ser o almejado na justa medida em que a ela se acrescem os elementos requeridos. Dificilmente ela será completa se deixar de acrescentar-lhe certos ingredientes ou se os usa de forma inadequada ou se os tais não se prestam a bons resultados.
       Não é possível desfrutar do sabor desejado, se não foi observado o tempo previsto. Quem tem pressa, acredite, desconhece o verdadeiro sabor das coisas. Jamais se sentirá a excelência da vida quem usou de forma imprudente ou impiedosa os ingredientes ou quem manipulou de forma irresponsável a receita.
       Por fim, ao se usar os componentes corretos em quantidade e qualidade estudas e se permitir ao tempo a sua justa ação, o resultado será saboroso. Aliás, um preceito divino sentencia: “A cada um segundo as suas obras”. Acrescentamos: Tanto na consequência, como no sabor.
       Juntando à comparação, nos reportamos a um fato real de um homem que ao sentir seu mundo desabar após o diagnóstico de uma doença progressiva e fatal, puxou o filho para um canto e lhe disse: “Não vamos desperdiçar o pouco tempo que nos resta. Vamos enxugar as lágrimas e conversar em vez de chorar.”
       A morte ou a desgraça não atemorizam os que com seus atos e sentimentos escreveram uma enciclopédia, ou um dicionário, ou singelo manual, onde gravaram de forma legível, clara e objetiva como agir, reagir, criar, amar, viver e até mesmo como morrer.
        O momento de enxugar as lágrimas é quando você as derrama. O momento de viver é quando você descobre que a fragilidade que açoda pode levar a descoberta da força interior, como nos relatam fatos históricos.
       "Não tenha receio de envelhecer ou ficar doente. Qualquer tempo e experiência vale a pena. A vida, com todas as suas limitações, obstáculos e dor, ainda é um tesouro."
       Para bem viver é necessário fazer um acordo com a vida: ela dá o que pode; você o que possui. Os resultados, se não forem os esperados, será, sem dúvida, a quase imediata resposta ao mérito e necessidade que você possui.
       A vida e o conjunto de coisas, fatos e circunstâncias; as dores e aquisições emocionais e sentimentais que provêm ou convergem ao ser humano é que imprimem rumo definitivo à descoberta e exercício de valores reais e absolutos.
       Tudo o que foge à compaixão, bondade e tolerância tem sabor de bolo queimado ou mal cozido.
       Sejam quais forem os ingredientes usados e o tempo que dedicar, ninguém se manterá indiferente ao gostinho excelente que só você tem. 

Um comentário:

  1. Genial este seu artigo, mas não basta lê-lo é necessário meditá-lo e aplicá-lo no dia a dia. Parabéns.

    An.

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