Nome: Amélie-Gabrielle de Lacombe Boudet.
Local e data de nascimento: cidade de Thiais, antigo Departamento do Sena – 23 de novembro de 1795 – Segunda Feira.
Filiação: filha única de Julien-Louis Boudet e Julie-Louise Seigneat de Lacombe.
Nome nas rodas literárias, artísticas e educacionais: Amélie Boudet.
Apelido na intimidade: "Gabi". Após o matrimônio, Madame Rivail e mais à frente, Madame Allan Kardec.
Nível de educação: Diplomou-se na Escola Normal de Paris, em Saint-Germain, sob os métodos educacionais de Johann Heinrich Pestalozzi, tornando-se professora de Belas-Artes e de Letras; sua sensibilidade a conduziu à pintura e à poesia. Para confirmar suas qualidades trouxe em 1825 "Contos Primaveris"; em 1826, "Noções de Desenho"; em 1828, "O Essencial em Belas-Artes".
Caracteres pessoais: De porte miúdo, graciosidade juvenil, tez rosada, sempre com um ensaio de sorriso nos olhos. Nunca aparentou a idade real. Residia em Paris e aqui conheceu o Professor Rivail.
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Nome civil: Hippolyte Léon-Denizard Rivail.
Local e data de nascimento: Sob os cuidados do médico Pierre Radomel, na cidade de Lyon, na França, em 03 de outubro de 1804 – quarta-feira.
Filiação: Filho único de Jean-Baptiste Antoine Rivail (Magistrado) e Jeanne Louise Duhamel.
Histórico: Em 1814, com 10 anos de idade, Hippolyte Rivail termina o curso elementar e médio que havia durado 4 anos. Foi o seu primeiro contato com o ensino e aprendizado sistematizado, e enquanto Napoleão seguia para o exílio na Ilha de Santa Helena, o garoto Rivail ia para a Suíça, mais precisamente para a cidade de Yverdun em busca do conhecimento sem pressões, censura e vigilância religiosa. Foi com o Professor Pestalozzi que o jovem deixou que sua alma se irradi-asse pelos condutos da compreensão e do amor ao semelhante ao conseguir por meio desse bondoso pedagogo conhecer a humanidade sob os mais variados ângulos de vivência. Aqui entra-ra aluno e daqui sairia professor para regozijo e alegria de seu mestre.
O Professor Rivail, como ficou conhecido nos meios educacionais, tinha aparência austera; irradiava segurança, determinismo, perseverança, bondade e compreensão. De estatura mediana, pouco menos de 1,70m., pálido e como destaque a aparência de alguém em quem se pode confi-ar e, por isso mesmo, cativante.
Graças à experiência adquirida junto ao Professor Pestalozzi, desenvolveu no plano pedagógico um método não cansativo propiciando aos seus alunos maior facilidade de assimilação.
Dentre outros, são de sua autoria obras sobre Aritmética, Geometria, Gramática, Química, Física, Fisiologia e Astronomia, além de conhecer e falar o alemão, inglês, italiano, espanhol, grego e, evidentemente, o francês; tinha grande conhecimento sobre magnetismo, prática à qual se entregava com certa regularidade; ademais, o lastro cultural e científico adquiridos ao longo de sua dedicada vida aumentava-lhe o patrimônio intelectual, o que atesta que seu gosto sempre foi predominante nas coisas do espírito. Com vários trabalhos de pedagogia publicados, contribuiu sobremaneira para a reforma do ensino em seu país em conseqüência do que a Universidade de Fran-ça adotou seus livros por julgá-los excelentes. Foi, ainda, membro da Real Academia de Ciências de Arrás.
Em 1831, Amélie e Hippolyte se conhecem; professores, autores com os mesmos pendores para as letras e fortemente atraídos pela afinidade espiritual que logo se revelou como amor, unem-se em matrimônio, o que ocorreu num domingo, 6 de fevereiro de 1832. Ambos filhos únicos, não geraram descendentes do consórcio matrimonial.
Em 1854, em colóquio com o Sr. Fortier, seu colega na Sociedade de Magnetismo, Hippolyte to-ma conhecimento das mesas girantes. A princípio não se deixa envolver pelo entusiasmo do ami-go. Algum tempo depois o mesmo Fortier lhe relata que as mesas falam; "pergunta-se e elas res-pondem", diz o amigo, ao que o Professor Rivail revida: "Só o acreditaria se provarem que elas têm cérebro e nervos e que se podem sonambulizar. Até então permita que considere isto uma fabulosa história". Algum tempo depois o Sr. Carlotti, um amigo de há 25 anos, natural da Córse-ga, uma bela e grande alma no conceito do Professor Rivail, por mais de uma hora tece comentá-rios a respeito dos fenômenos e lhe faz referência pela primeira vez da intervenção dos Espíritos em tais fenômenos. Sabendo o Professor Rivail do temperamento ardente que levava o Sr. Carlot-ti à exaltação e reconhecendo nesse extremismo fatores que não recomendam crédito, recusa-se aceitar a argumentação do amigo, não lhe ocultando tal fato, ao que este vaticinou: "Um dia, se-reis dos nossos". "Não digo o contrário, veremos isto mais tarde", foi a resposta.
Algum tempo após, no mês de maio de 1855, fazendo-se acompanhar do Sr. Fortier, esteve em casa da Sra. Roger, ali encontrando o Sr. Pâtier, respeitável funcionário público, homem culto, metódico, sério e ponderado que, à sua vez, acompanhava a Sra. Plainemaison. O Sr. Pâtier dis-corre, sem arroubos, sobre os fenômenos espirituais, convencendo e convidando o Professor Hippolyte Rivail para assistir as reuniões que se realizavam à Rua Grange-Bateliere, nº 18, resi-dência da Sra. Plainemaison. O encontro ficou marcado para o mesmo mês de maio, às 20 horas de uma terça-feira.
Em casa da Sra. Plainemaison, o Professor Rivail participa das primeiras reuniões mediúnicas. Era o princípio de um belíssimo e exaustivo trabalho. Surgia, então, para a Humanidade a Doutri-na dos Espíritos, codificada por aquele que passara a partir de então a ser reconhecido no Mundo Espiritual não mais como o Professor Hippolyte Léon-Denizard Rivail e sim como o Missionário Allan Kardec, nome este que já lhe pertencia séculos antes quando fôra, na antiga Gália, um sa-cerdote druída -, assim lhe noticiara o Espírito Zéfiro.
A princípio Kardec não tinha intenção de dar corpo a qualquer doutrina. Entretanto, vários amigos, dentre os quais o próprio Sr. Carlotti, Victorien Sardou e o editor Didier colocam à sua disposição pouco mais de cinqüenta cadernos, nos quais estavam registradas as comunicações dos Espíri-tos, colhidas nos últimos cinco anos. Tomou dos apontamentos e os levou ao estudo, resultando um trabalho profundo e decisivo que o convenceu da existência de Espíritos e dum mundo espiri-tual.
Passou, sob esforço de pesquisa, a questionar os Espíritos sem um propósito definido mas sem-pre com perguntas sérias e objetivas reunindo em um caderno de apontamentos as perguntas formuladas e as respostas então obtidas. O tempo, os Espíritos e o entendimento fizeram-no ver que tinha em mãos novo roteiro para a Humanidade e isto o levou a enfeixar os manuscritos em um livro encarregando o seu livreiro de editar a obra. Era o LIVRO DOS ESPÍRITOS que surgia a lume no ano de 1857. Este foi o primeiro de uma série de 5 livros que somados iriam regular a Doutrina dos Espíritos; os 4 seguintes são: O LIVRO DOS MÉDIUNS (1861); O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO (1864); O CÉU E O INFERNO (1865); e, A GÊNESE (1868), além de ter fundado e presidido a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
Já consolidados os princípios doutrinários do Espiritismo, cuidava Kardec em expandir as obras que esclareceriam os interessados e para tanto planejara abrir uma livraria, além do que prepara-va sua mudança para nova residência. Um aneurisma o vitima e por volta de 11,30 horas do dia 31 de março de 1869, uma quarta feira, é dada por encerrada as atividades do Missionário na atual existência terrena. Com 65 anos de idade, Hippolyte Léon-Denizard Rivail, aliás, Allan Kar-dec deixa as vestes e o mundo físico e retorna à Pátria Espiritual após cumprir a missão para a qual havia sido designado. Deixa obras e exemplos grandiosos e uma viúva saudosa.
Amélie, dignificando e honrando a memória do marido, assume posição frente às dificuldades, para que a Doutrina não perdesse ânimo. Não permitiu que a morte do marido frustrasse a inau-guração no dia seguinte, na Rua Lille, número 7, da livraria na qual ele colocara empenho e dedi-cação. Como mulher valorosa defendeu a memória do marido e a própria Doutrina em todas as ocasiões em que a inconseqüência humana o agrediu. Viveu 87 anos, 37 dos quais unida a Kar-dec pelo matrimônio, e 14 em estado de viuvez.
Embora pouco se fale a respeito de Amélie-Gabrielle de Lacombe Boudet, aliás senhora Rivail ou senhora Allan Kardec, o entendimento nos convence que foi em todos os instantes a companheira ideal do Codificador e que a Doutrina Espírita lhe deve o carinho, a dedicação, a ternura, o ampa-ro e o incentivo com que soube sempre distinguir o marido. Na vida em comum caminhou com o esposo todos os caminhos que ele havia de percorrer. Foi quem mais sentiu as emoções do marido e, em conseqüência de seu desvelo, a que mais o emocionou.
Em 21 de janeiro de 1883, domingo, Amélie se despede do mundo físico e retorna à verdadeira vida e ao companheiro querido.
Dos dois, ela foi a primeira a chegar e a última a retornar. A que veio preparar o lar para a vinda do esposo e a que cuidou de suas coisas quando ele partiu.
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