Na vida cometemos os maiores erros de que somos capazes. Isto acontece com todos, mas não é menos certo que também conseguiremos alcançar grandes, enormes feitos se houver determinação, eis que contrariamente à afirmação do pessimista, o mundo não está perdido, este, o indivíduo inapto, é quem está perdido no mundo sem encontrar a porta de entrada para o desenvolvimento pessoal e moral ou sem conseguir descobrir onde fica a porta de saída para despachar suas preocupações e angústias.
Grande parte das justificativas do ser humano se prende ao escapismo ou à transferência de culpa. Em ambos os casos, caracteriza-se a pretendida fuga da responsabilidade. Tal atitude é como que um atestado de que o faltoso nada fará para corrigir o que fez errado. No escapismo, o indivíduo simplesmente foge. Na transferência de culpa, se justifica ou se desculpa apontando outro como responsável pelo seu erro. Nos dois casos se protege com uma mentira, e a mais perniciosa das mentiras é a que se conta a si próprio.
Para sobrevivência em qualquer faixa de tempo e espaço é imprescindível uma boa dose de inocência e ingenuidade que são próprias das crianças; portanto nunca é tarde para viver uma infância feliz, ainda que adulto. É necessário construir castelos e viver neles; estruturar fantasias e dar azo ao romantismo; se entregar a sonhos e realizá-los, porque aquele que faz da realidade um sonho é um roteirista bem acabado e aquele que transforma o sonho em realidade, é um personagem completo.
Para que a vida em sociedade – ampla ou restrita - seja sadia, há necessidade de entendimento, de propostas e de esforços e isso me faz lembrar um fato verídico de alguém que sempre foi criador de gado e que tinha um filho formado em engenharia.
O filho, desejoso de colocar agrado em suas conversas com o pai, tornou-se assinante de uma revista sobre criação de gado. Não é necessário dizer que as conversas entre os dois se tornaram cada vez mais interessantes; entretanto, o filho nunca revelou o segredo ao pai.
Numa das visitas ao pai, o filho, por um motivo qualquer, foi até um pequeno quarto que, na realidade era um depósito doméstico. Remexendo em alguns livros e revistas, deparou-se surpreso, num dos cantos do cômodo, diversos exemplares de revista de engenharia que o pai vinha assinando há dez anos...
Ambos estavam falando a mesma língua e o melhor, estavam se entendendo, diferente daquele senhor russo, funcionário de uma laboratório que, apesar de falar português, tinha dificuldade com o idioma. Certa vez ele perdeu o guarda-chuva que carregava debaixo do braço todos os dias. Muito preocupado, colocou um cartaz escrito à mão no banheiro dos homens: "Perdi a minha guarda-chuva. Se alguém achou, favor entregar para mim." Não se identificou, mas todos sabiam de quem se tratava. Um colega encontrou o guarda-chuva e, para fazer graça, colocou outro cartaz ao lado do dele: "Achei a sua guarda-chuva. Está comigo. Favor me procurar." E também não se identificou. Por aqui, pois, fica a certeza de que diálogo mal construído é entendimento adiado.
Por outro lado, a atitude sub-reptícia, na calada e no silêncio noturnal leva o ser humano a se relacionar ilegitimamente, como o político que contrata dois assessores especiais: um para enterrar fatos; outro para desenterrar fatos, sempre em proveito próprio, é evidente.
A vida, na totalidade do tempo se vincula a pessoas, fatos e situações que nos distinguem de forma especial. Por isso cada um tem que ser especial, adequar-se aos preceitos necessários e essenciais para entrar na posse de sorrisos para não ser penalizado com lágrimas. No contexto geral, é necessário reler a parábola do joio e do trigo, executando rotineiramente a norma de conduta nela recomendada. Desde sempre estamos para obedecer aos mandamentos, quer divino, quer humanos, e quase nunca habilitados a dar ordens. Você pode não acreditar e apesar disso veja que quando se é criança, tem que se fazer o que o pai manda; na escola, o que o professor manda; no emprego, o que o chefe manda e quando aposentado, o que o médico manda. Você pode até não obedecer-lhos, mas a sua vida se tornará mais estreita e sofrida, talvez até mesmo mais curta.
A vida seria, numa analogia bastante assimilável, como uma quadra de esportes, cujo atleta que a ela se adentra deve ter bom preparo, boa visão, jogo de cintura, paciência, capacidade de decisão e bastante determinação. A derrota é o apenamento; a vitória, o recompensa. O casamento também pode ser comparado à quadra de esportes. Aliás, falando em casamento, certa feita, na comemoração de sua boda-de-ouro, uma avó questionada pelos convidados, revelou a eles o segredo de seu matrimônio feliz. Em voz alta, de modo informal, disse: "No dia em que me casei, decidi fazer uma lista dos dez defeitos que toleraria em meu marido, em favor de nosso casamento. E isso deu certo, tanto assim que nosso casamento atingiu cinqüenta anos".
Quando da retirada dos convidados, uma jovem que estava passando por dificuldades conjugais, perguntou para aquela avó quais eram os defeitos que ela decidira tolerar.
A avó respondeu: "Para dizer a verdade, meu bem, eu nunca cheguei a fazer a lista, mas, sempre que meu marido fazia alguma coisa que me deixava louca de raiva, eu dizia a mim mesma: "Sorte a dele, esse é um dos defeitos que propus tolerar!"
Isto também nos leva a recordar a afirmativa de que o grande laço que une o dono ao seu cão não é a fidelidade deste, ou seu encanto – que estão sempre presentes, ou qualquer outra coisa que o distinga, mas sim o fato de o cão não criticar o seu dono(*). W. Somerset Maugham nos afirma que poucos imaginam que um pouco de bom senso, um pouco de tolerância e um pouco de bom humor, podem tornar agradável a nossa permanência neste planeta.
Sob outro sentido de vista, quem disse que o importante é competir; que ganhar ou perder não importa, provavelmente perdeu, mesmo porque nós viemos ao mundo para vencer, e vencer as nossas fraquezas, limitações, dificuldades, tentações, vencer no emprego, vencer no lar, vencer o espelho e o mais importante, vencer as nossas impropriedades.
Para encerrar, recordo três afirmações:
1. Todos os cogumelos são comestíveis. Alguns só uma vez.(**) Portanto, é recomendável cautela em todas as ações.
2. Tudo se torna mais fácil com a prática – menos levantar de manhã.(***) Portanto, você não está sozinho, continue tentando.
3. O amor é a única coisa que aumenta quando partilhada. Portanto, não economize... Ame.
Nenhum comentário:
Postar um comentário