quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

VOCABULÁRIO CRISTÃO - Autor: Gérson Gomide

       No pórtico da Doutrina Espírita está gravado em caracteres absolutos e legíveis, o dístico: "FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO", induzindo seus frequentadores à prática da fraternidade, o que é levado a sério pela quase totalidade dos dirigentes e frequentadores.
       No entanto a Caridade é apenas e tão-somente o caminho natural do Espiritismo, não a finalidade. Permitimos vir à lembrança que a Caridade é a prática, orientada pela luz da bondade que leva o indivíduo a cultuar Deus sob o alicerce da razão e do amor. No vocabulário cristão, Caridade é o amor que move a von-tade e o auxílio em direção ao falto. Seus atributos principais são benevolência, complacência e compaixão. Já em Teologia, pois que a Caridade é uma das três virtudes teologais (as outras, Fé e Esperança), num aspecto, é a relação do mundo e do homem em conformidade religiosa que prega como verdade absoluta o falar e agir segundo o que a razão, a consciência, a bondade e o amor dizem que deve ser. Sob o aspecto dicionarizado e em definição bastante singela, Caridade é a virtude que conduz ao amor a Deus e ao nosso semelhante, sendo esta definição o resumo do oportuníssimo conselho: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". O Autor deste aconselhamento todos nós sabe-mos quem é.
       Já cada um dos três suprareferidos atributos que formam e constroem em parceria a outros, o conjunto reconhecido e definido como Caridade, se resumem por esta forma: benevolência: bondade de ânimo para com os que estão sendo orientados ou comandados; a manifestação de afeto, benquerença e afabilidade; complacência: brandura, benignidade; disposição habitual de ser agradável; e, compaixão: sentimento piedoso de simpatia para com a tragédia pessoal de outrem, que se faz acompanhar do desejo de minorar essa tragédia e os seus efeitos.
       Em alguns núcleos distantes do Espiritismo e até mesmo da religião, a Caridade é sinônimo de aplausos e endeusamento, e por isso é oportuno evidenciar que ela não se resume tão-somente ao atendimento material das necessidades da crian-ça, do idoso, do faminto, do enfermo, mesmo porque raramente, muito raro enxergarmos grandes instituições religiosas ajudando outras de menor porte, ainda que professem o mesmo credo e que lutem com dificuldade para atender os desprovidos que batem à sua porta. Mesmo porque, muitos dos que praticam a Caridade nos ambientes de assistência religiosa não a praticam no próprio lar ou no ambiente de trabalho, isto é uma realidade, por mais incompreensível que seja.
       Caridade é também inteirar, preencher, suprir vazios de ternura, de carinho, de companheirismo daqueles que gravitam à nossa volta. Inquestionavelmente, é ampla como o céu, profunda como os sentimentos generosos, eterna como o Amor. No mais alto grau é a sutileza silenciosa ou sussurrante quase invisível aos observadores.
       A Doutrina Espírita dita regras para a jornada terrena e sinaliza a via pelas qual Deus conduz a alma à mais elevada santidade. E para que intimamente encontremos Deus e reconheçamos o ser humano como irmão, a ação e reação têm que se referendar pela reforma íntima, esta sim, o traço marcante e característica básica da Doutrina Espírita. Entretanto, recordemos que muitos nasceram em berço espírita, desencarnaram em leito espírita e não a alcançaram não por descaso, não por inobservância dos preceitos espíritas, mas sim porque deixaram de se dedicar à literatura espírita que é, verdadeiramente, a orientação moral e espiritual necessária à convivência fraterna.
       Ao se almejar intimamente a própria reforma, se faz necessária prévia reformulação de pensamentos e, por consequência a corrigenda de atitudes e obras nos moldes da orientação contida principalmente n'O Evangelho Segundo o Espiritismo e n'O Livro dos Espíritos, expondo com clareza e perfeição sua proposta de vi-da ou para a vida.
       Para ser bom há necessidade de alcançar o conhecimento e a disciplina através da instrução doutrinária adquiridos através d'O Livro dos Espíritos, depois o exercício prático e lúcido das lições e conhecimentos armazenados. Para ser caritativo é necessário enfeixar todas as qualidades adequadas à sua natureza ou função e estas qualidades, desde o princípio até o fim estão difundidas nos cinco Evangelhos – os canônicos e o Espírita.

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