sábado, 19 de setembro de 2009

FALANDO VERDADES

A verdade é quase sempre subjetiva derivando do conhecimento, atitudes e disposição do indivíduo. A sua aceitação também o é. Na elasticidade do argumento a verdade quase nunca é absoluta, isto em razão de a desenvolvermos de acordo com as informações que nos passam os historiadores e os responsáveis pela mídia, e estes, com ela nem sempre têm estreito compromisso, mesmo porque é incontestável a existência de interessados na aquisição de benefícios, decisão ou parecer favorável à sua causa e sempre existirá alguém disposto a atender tais solicitações.
Assimilamos, pois, a verdade em harmonia à nossa cultura e entendimento; assim a entendemos, as-sim a defendemos e assim a historiamos aos que nos privilegiam com sua atenção.
Certa feita alguém muito importante indagou para alguém ainda mais importante o que seria a verdade obtendo como resposta o silêncio. Vale dizer que o indagado sabia a resposta, entrementes seu interlocu-tor não reunia condições morais para ouvi-la.
Sem intenção de trocadilho, a verdade é que ainda não reunimos qualidades para com ela nos defron-tarmos, ainda porque quem suportaria ouvir a verdade a seu respeito? Todos têm suas verdades e as de-fendem com unhas e dentes; algumas são pré-fabricadas, outras desenvolvidas com base na postura fami-liar ou social e que servem apenas para consumo próprio, existindo, ainda, outras habilmente escondidas ou porque humilham ou porque envergonham. Ainda assim muitos se pretendem donos da verdade.
A verdade política, ainda sem intenção de trocadilho, é uma mentira; a verdade social estrutura-se na aparência e na vaidade, portanto, uma farsa; a verdade religiosa em alguns núcleos fanatizados dissimula nos sermões e prédicas interesses propensos mais ao materialismo e ao gosto excessivo da moeda que ao salvacionismo; a verdade mercantil ainda não pode ser medida com o metro da honestidade ou pesada com a balança da probidade; a verdade profissional não raras vezes se oculta detrás dos pilares da menti-ra. Enfim, a verdade existe, mas quem está disposto buscá-la? E buscando-a, encontrando-a estaria dis-posto ou teria a bravura de trazê-la à público; e trazendo-a seria aceito como seu portador? Não cremos!
O mesmo Alguém que silenciou à indagação do que seria a verdade, certa feita afirmou aos seus dis-cípulos: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida"... Muitos não creram e até o presente não têm por certo seja Ele a mais profunda expressão da verdade e talvez seja por isso que grande parte da humanidade se encontre à deriva, entregue aos seus próprios desatinos e violência.
Longe de Deus ninguém possui verdades. São agressivamente mentirosos os que se julgam titulares do direito sobre a vida e a morte de seu semelhante; que os exploram nos gabinetes, na parte posterior das mesas ou balcões; que os intimidam com verborragia ou com uma arma; que se valem de pequenos furtos e de atentados monstruosos movidos pelo imediatismo ou pelo fanatismo. Qual verdade os anima, ou me-lhor, qual mentira os incentiva? Será que os responsáveis pela direção do país andam de mãos dadas com a verdade ou será que a escamoteiam disfarçando-a na retórica de seus discursos? "Conheça a ver-dade e a verdade vos libertará". Quem se importa conhecê-la e exercitá-la se tal atitude impõem sacrifício e exige renúncia?
Se ainda hoje o homem mais poderoso do Planeta perguntasse o que é a verdade, ainda hoje teria o silêncio como resposta.
Isto não é lamentável?


Autor: Gérson Gomide


Nenhum comentário:

Postar um comentário