sábado, 19 de setembro de 2009

SIMPLES E IGNORANTE

Deus pode livrar os Espíritos das provas que devem
sofrer para chegar à primeira ordem?
(questão 119 do Livro dos Espíritos).

Pode! Pode porque é Onipotente. Pode, mas não o faz. A maioridade espiri-tual em qualquer dimensão de vida está estreita e indissoluvelmente ligada ao sucesso da experiência pela qual o Espírito, então sob as vestes físicas, se sujeitou. É nos contratempos da vida que o indivíduo alicerçado nos bons costumes se de-senvolve moralmente acumulando requisitos básicos para sobreviver neste plane-ta, requisitos esses que se identificam como paciência, fraternidade, compreen-são e todos os demais atributos inerentes ao amor ou a ele convergentes.
Na criação divina, já desde o princípio, tudo é perfeito no conjunto, ainda que simples, mesmo que ignorante; os elementos essenciais ao desenvolvimento encontram-se latentes tanto na mais rudimentar como na mais sublime das cria-ções. Cada qual revela mais à frente aquilo que se caracterizará como imagem da vida.
É o homem, no trato pessoal, e a Natureza, em seu roteiro cíclico, que darão o toque final de beleza e harmonia a si próprios. Entretanto, se faz notar que é a experiência ou mais precisamente a atividade diuturna que propicia ao ser hu-mano a descoberta dos caminhos que conduzem à perfeição moral e mental, desenvolvendo-a paulatinamente por meio de atitudes saudáveis.
Não é necessário o erro para se chegar ao acerto, mas quase todos nós de-mandaremos o bem estagiando em mal-educadas atitudes, ainda porque é ali-cerçando as ações em todos os segmentos de exercício efetivo que encontrare-mos o verdadeiro destino e chegaremos às boas lides do Espírito, porém os hábi-tos inconvenientes podem ser torneados se aparelharmos o coração com o ins-trumental dos Evangelhos e para tanto já contamos com o arrimo da religião res-ponsável que conscientiza as atividades de cada um e via de conseqüência e-nobrece direitos e deveres.
Simples e ignorante - assim surge o Espírito para a vida, ou seja: singelo, sem nenhum ornato moral e que nada sabe na ingenuidade peculiar dos iniciantes. Não se trata da simplicidade evangélica que retrata humildade e pureza e tam-pouco da ignorância que caracteriza o indivíduo abrutalhado no pensar e agir. O simples e ignorante aqui abordado é aquele que nada sabe sobre nada, mas que foi, pela configuração divina, talhado para o bem.
Na composição primária, além da simplicidade e da ignorância, é acrescido ao Espírito o requisito que regulará toda sua vida, que se chama livre-arbítrio. Ele se caracteriza como o elemento principal no avanço ou na estagnação moral, sofrendo influências e influenciando o meio que lhe é próprio.
Deus não cria seres perfeitos nas atitudes e obras; perfectíveis sim. A perfeição fica por conta do gênero humano. É a parte que lhe toca nessa empreitada que de bom grado se sujeitou em passado longínquo.
Autor: Gérson Gomide


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