domingo, 27 de setembro de 2009

NOSSO LAR - O LIVRO, O AUTOR, A COLÔNIA



O LIVRO
"Nosso Lar" é um livro editado sucessivamente pela FEEB, desde 1943.
É o primeiro de uma série de 16 livros que retratam ou desvendam o Mundo Espiritual. Sua linguagem é simples e por isso mesmo seu conteúdo é facilmente compreensível.


Em suas páginas, do começo ao fim, encontramos a bondade e dedicação como instrumentos de soerguimento espiritual, alicerçadas no amor sempre constante em todas as atividades dos que integram os trabalhos de socorro.


Dificilmente encontraremos um espírita que não tenha lido "Nosso Lar", embora ele não faça parte do conjunto literário da Codificação, mas que a ela se agrega como valiosíssima pérola engastada na sublimidade da Doutrina Espírita.


Não sabemos se de propósito, embora com a certeza que por coincidência não foi, que Emmanuel gravou como data do prefácio que houvera subscrito para o livro, o dia 3 de outubro de 1943, ou seja, dia e mês de aniversário de nascimento de Allan Kardec. O título do prefácio: "Novo Amigo".


O livro não retrata alguém em especial. É a narrativa de situações e experiências vividas por seu autor, bem como a reprodução de diálogos entre os personagens que ali desfilam. Sua leitura é agradável e desmistifica a morte como o epílogo de tudo quanto dá ânimo e vida. Para alegria de muitos e angústia de outros, sobreviveremos à morte, não importa como ela nos visite.
Caracterizou-se, em seu lançamento, como uma obra polêmica e tampouco o aval de Emmanuel e a psicografia do já então respeitado Chico Xavier serviram como fiança de que se tratava de algo sério e autêntico, um verdadeiro marco na literatura espírita. Não temos números para definir quantos exemplares foram adquiridos por espíritas, simpatizantes ou simples curiosos. Mas, se André Luiz deixou, quando encarnado, de socorrer alguns infelizes, com este livro, principalmente, e com os que o sucederam, medicou milhares e milhares de espíritos que até então se angustiavam pelas veredas da ignorância e das atitudes descabidas.

O AUTORDo autor nos é dado o pseudônimo "André Luiz", sem patronímico que o identifique como pertencente a esta ou àquela linhagem; tampouco fornece um currículo profissional ou familiar. Há quem o defina como determinado e famoso médico. O porque de dar-se-lhe nome, sobrenome, certidão de nascimento ou caracteres pessoais identificáveis, não sabemos. Qualquer nome civil ou vínculo familiar a ele atribuído, são meras especulações. Nada além disso...


Mas para ilustrar este comentário, podemos adiantar que André Luiz foi casado com d. Zélia, com quem teve três filhos, duas mulheres e um varão. Médico clínico, exerceu a profissão durante quinze anos, período no qual proporcionou receituário gratuito (consultas) há mais de seis mil necessitados. Desses beneficiados, quinze jamais o esqueceram, muito menos seu gesto de bondade; estes poucos, com letras douradas na gratidão, escreveram para sempre no Éter a benevolência e o nome do benevolente que um dia voltou a eles o olhar e a bondade.


Enquanto moço e sadio cometeu numerosos abusos, dentro do quadro de trabalho a que Jesus o conduziu. Isto, entretanto, não afirma haja praticado crimes profissionais mas, nos quadros da Medicina, omissão, imprudência, descaso são faltas graves perante o Conselho Divino.


Em virtude de oclusão intestinal derivada de elementos cancerosos, e estes por sua vez provenientes de leviandades que ocasionaram a sífilis que lhe devorou e energias essenciais, André Luiz veio falecer por volta de 1930.
Arrastado ao campo vibracional com o qual tinha afinidade, viveu por mais de oito anos consecutivos em esferas de sofrimento atroz, cuja região por ele percorrida sob o guante da dor foi nomeada como Umbral, que é o mesmo que obscuro, enigmático, sombrio. Dessa região, sob os elevados rogos de sua mãe, é resgatado por Clarêncio, com quem conviveria por largo tempo de instruções.


Com a obra intitulada "Nosso Lar" André Luiz nos revela Os Mensageiros, os Missionários da Luz, os Obreiros da Vida Eterna, todos, sem exceção, imbuídos do mesmo ideal e de sentimentos altruístas no socorro e apaziguamento de Espíritos que, por variados motivos, sofrem ou propiciam o sofrimento. Revela a existência de um Mundo Maior, onde o trabalho e a bondade são linhas demarcatórias no apaziguamento espiritual. Abre as páginas da Agenda Cristã, renovando a crença e fé nos ensinamentos de Jesus. Traz-nos a Libertação para que livremente nos movimentemos, embora com responsabilidade, por todos os caminhos Entre a Terra e o Céu. Instrui os trabalhadores mediúnicos sobre os Domínios da Mediunidade. Fala sobre responsabilidade, diretamente ligada à Ação e Reação.

Através de ensinamentos diz ser possível a Evolução Em Dois Mundos se atentarmos para os Mecanismos da Mediunidade, pois é este atributo, desde tempos imemoriais, o apanágio da humanidade. Aos que abraçaram o Espiritismo, deixa claro qual a Conduta Espírita frente a todas as situações comportamentais, principalmente no que se refere a Sexo e Destino, procurando com isso evitar que se busque socorro em trabalhos de Desobsessão. Enfim, nos diz com todas as letras: E a Vida Continua...

...E nós também!!!
A COLÔNIA
Socorrido por Clarêncio, André Luiz transpõe os portões da colônia sugestivamente denominada "Nosso Lar", que não é uma estância de espíritos propriamente vitoriosos se conferir ao termo sua razoável acepção. É um Núcleo de Socorro bem próximo à crosta terrestre, não muito distante das regiões umbralinas, para onde freqüentemente se deslocam em missões de resgate.
A colônia é antiga fundação de portugueses distintos (nobres), desencarnados no Brasil, no século XVI. A princípio, enorme e exaustiva foi a luta. Os trabalhos primordiais foram desanimadores, mesmo para espíritos fortes. Os fundadores não desanimaram, porém. Prosseguiram e perseveraram na obra, na qual empregaram em seus alicerces a solidariedade fraterna e o amor na sua mais simples, porém mais marcante projeção. Desde o princípio sabiam o que queriam, como queriam e para que queriam.


Essa colônia, como tantas outras existentes no Plano Espiritual, se caracteriza como zona de transição e é administrada por um Governador que, na ocasião dos fatos narrados no livro, estava à frente da administração há cento e quatorze anos. Contava, ainda, o corpo administrativo com setenta e dois auxiliares diretos, designados Ministros, distribuídos em seis Ministérios, cada qual orientado por doze Ministros.


Os Ministérios assim se ordenam:



a) Próximos Pas Esferas Terrestres:
1. Da Regeneração
2. Do Auxílio.
3. Da Comunicação.
4. Do esclarecimento.


b) Ligados ao Plano SuperiorOs Serviços mais grosseiros localizam-se no Ministério da Regeneração, os mais sublimes no da União Divina. Clarêncio, o amigo que buscou André Luiz é um dos Ministros do Auxílio.


5. Da Elevação.

6. Da União Divina.



O trabalho não é obrigatório na colônia, mas todos os que têm condição de auxiliar são chamados à lide; a remuneração pela tarefa, além dos créditos espirituais, é o bônus-hora que assume o perfil de moeda corrente apta a aquisições variadas, inclusive no que se refere ao lar próprio, cujo valor estima-se em trinta mil bônus-hora. A média de trabalho é de quarenta e oito horas semanais, podendo somar à mesma, horas extras ou serviços sacrificais (que exige renúncia, tempo, dedicação, coragem), cuja remuneração é duplicada e, às vezes, triplicada.


A água é empregada sobretudo como alimento e remédio; a ela se adicionam elementos solares, elétricos e magnéticos. A alimentação, porquanto diferenciada da nossa, assume feição de caldo reconfortante e frutas perfumadas, mais próximas a fluidos deliciosos.


Há um século, sempre nos reportando ao tempo consignado no livro, muitos dos recém-chegados duplicavam exigências alimentares. Queriam mesas lautas, bebidas, dilatando, enfim, velhos vícios terrenos. Muitos dos trabalhadores, inclusive de projeção, aderiram ao movimento. Apenas o Ministério da União Divina ficou imune ao contágio das exigências que tomaram consistência em protestos de caráter público. Com paciência, sem castigos, o Governador elucidava os adversários, mesmo dentro dos Ministérios. Chegou a situação a tal ponto que o Governador determinou que se fechassem provisoriamente o Ministério da Comunicação, veículo da propagação das exigências, determinando, seguidamente, a ativação de todos os calabouços da Regeneração, isto após trinta anos consecutivos de impertinência. A colônia ficou, então, sabendo o que vem a ser a indignação do espírito manso e justo. A Governadoria saira vitoriosa.

Este é o retrato da colônia denominada "Nosso Lar", tão bem referida por André Luiz que, nos vacilantes passos da fraternidade, contou com o amparo de Clarêncio e a dedicação, dentre outros, de Lísias, Lascínia, Narcisa, Silveira, Tobias, Salústio...



Autor: Gérson Gomide 
Texto publicado na Revista Internacional do Espiritismo - RIE

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