sexta-feira, 2 de abril de 2010

RETRATO DO HOMEM


Trata-se de um personagem de inegável apelo: Chico Xavier (1910-2002), o mais famoso médium brasileiro, tem um sem número de seguidores por toda parte do país – o homem psicografou coisa de 400 livros.

Natural, pois, que sua história chegasse aos cinemas pelas mãos de Daniel Filho, diretor que conhece como poucos os caminhos que resultam em vultosos resultados de bilheteria.

Para tanto, o cineasta não se furta de trazer à baila polêmicas em que Chico Xavier esteve envolvido, com destaque natural para as desconfianças de que ele não passava de um charlatão.

Chico Xavier, o filme que entra em cartaz nesta semana, tem seu lançamento cercado de expectativas. Há os que, de antemão, devem tomar a obra pelo personagem, o que tem sempre consequências imprevisíveis.

Quem não acredita nos espíritos, por exemplo, pode ser que se recuse dar confiança à ci-nebiografia e relute em pisar na sala de cinema. O crente, por sua vez, talvez evite aceitar a versão um tanto, digamos, humanizada de Chico Xavier.

Seja como for, é justo lembrar que tanto Daniel Filho quanto Nelson Xavier, ator que vive o protagonista em boa parte do longa, já se assumiram ateus, o que não os impediu de tomar parte no projeto.

(Tampouco livrou Daniel de conhecer, e assumir, experiências algo sobrenaturais durante o processo de feitura do trabalho, de acordo com o que ele próprio declarou nalgumas ocasiões.)

Chico Xavier é baseado no livro As Vidas de Chico Xavier, do jornalista Marcel Souto Maior, publicado em 2003 e com excelente vendagem para os padrões de nosso mercado editorial. Um dado, de resto, comum a publicações do segmento espírita.

Este é um gênero, aliás, que recentemente teve seu potencial comprovado também nos cinemas. Bezerra de Menezes – O Diário de Um Espírito (2008), com Carlos Vereza no papel do "médico dos pobres", foi uma surpresa positiva, em termos de público, no mercado cinemato-gráfico nacional.

Sua arrecadação considerável fez verificar que tal filão poderia ser novamente trabalhado. Embora a ideia de rodar Chico Xavier, segundo o que se divulgou, seja anterior à estreia de Bezerra de Menezes, e se tenha declarado que o filme é sobre o homem, e não sobre o espiritismo, seu lançamento certamente ganhou impulso com o sucesso do predecessor.

Divulgado como uma "história de vida", Chico Xavier tem no papel principal, além de Nel-son Xavier, Ângelo Antônio. Ele interpreta o médium entre 1931 e 1959; Nelson, entre 1969 e 1975. Na infância, quem faz Chico é Matheus Costa.

O elenco conta ainda com Tony Ramos, Cristiane Torloni, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Luis Melo, Pedro Paulo Rangel, Cássia Kiss, Cássio Gabus Mendes, Paulo Goulart, dentre outros.

A despeito desses nomes todos, é na figura de Chico Xavier, tida como influente e intrigante em igual medida, que os produtores do longa apostam para fazer do filme uma exceção neste 2010 pouco receptivo às grandes produções brasileiras que estrearam até aqui (CM).

Autor: identificado apenas pelas iniciais CM
Fonte: Jornal Diário de S. Paulo – 02 de abril de 2010

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