No geral tudo que é velho não parece ser grande coisa. É verdade que e-xistem as exceções para validar a regra, mas de uma forma geral o velho “já deu o que tinha a dar”. Sem dúvida, péssima referência a algo ou alguém que em determinado espaço de tempo foi útil.
Especificamente com referência ao homem velho, melhor colocado, homem idoso, nos choca o tratamento que recebem de estranhos e de familiares, sem contar que para o Governo ele é o culpado pelo desequilíbrio orçamentário da Previdência Social. Nas rodinhas de inconsequentes é sempre taxado como antigo, obsoleto, senil, quadrado, etc., etc.; seus métodos são tidos como arcaicos e suas palavras, empoeiradas. Assim o temos; perdoem-me, assim o tem o jovem estrábico que não enxerga um palmo adiante do nariz. Talvez seu agressor se tenha à conta de que se conservará esbelto pelos tempos em fora como Dorian Gray - o personagem que repassou o envelhecimento ao próprio retrato; entretanto, só existem duas alternativas para o ritmo natural da vida: envelhecer ou morrer jovem. Se chegar ao envelhecimento é provável que o jovem inconsequente receba de volta as palavras e ações agressivas por ele semeadas; se partir cedo pouco terá realizado deixando, sem dúvida, grande tristeza e um imenso vazio em "seus velhos".
O mundo não é dos jovens como uns poucos ousam afirmar; o mundo é um condomínio aberto onde todos têm direito à dignidade e obrigações junto aos demais. Separar o jovem do idoso como se separa o trigo do joio é atitude dano-sa para quem não labutou no plantio e colheita.
Sem jamais admitir maus tratos e indiferença ao idoso, somos forçados a aceitá-los como prática normal de espíritos empedernidos. Muito mais degradante, desonroso mesmo é a intolerância aos próprios ancestrais.
Em determinado momento da vida os filhos se julgam mais sábios e eficien-tes que seus pais e usam como argumento que os tempos e o mundo são diferentes. Nem o tempo e nem o mundo se diferenciam - remodelam-se, é verdade, - são os modernistas de pouca idade com o beneplácito de figurantes irresponsáveis que tornam o mundo e a vida mais difíceis para os outros e mais fáceis para eles próprios.
Em idos não muito distantes o idoso permanecia com seus familiares até o último dia de vida, deles recebendo atenção, carinho, medicamentos e dedicação. Sua caduquice era tolerada como também o era sua enfermidade.
Sem reclamos de seus descendentes, os idosos se preparavam para a derradeira jornada que era invariavelmente pranteada pelos que ficavam. Hoje os filhos sob a desculpa de melhor atendimento médico e melhores condições de sobrevivência asilam os pais em verdadeiros depósitos de velhos onde a única saída é a morte. Por melhor que seja esse depósito o desvelo é meramente profissional porque é um serviço remunerado onde sentimentos não se contabilizam.
Na velhice, como na infância, o que o ser humano mais necessita é carinho, afeição, ternura, companheirismo e amor em constante permuta de valores sentimentais. Alguns minutos de visita ao idoso em seu exílio em fins de semana, exclusivamente para atender ao dever social ou consciencial não espantam a solidão e não preenchem vazios.
A retribuição dos descendentes ao idoso, na maioria das vezes, é a rejeição. Lacônico fim de quem organizou uma família, deu-lhe teto, segurança e... herança.
Diz acertadamente o brocardo religioso que a verdadeira caridade começa em casa. Completamos: A ingratidão também, infelizmente!


Nenhum comentário:
Postar um comentário