Jesus nasceu aproximadamente 5 anos antes da atual era, com o País que Lhe ser-viu de pátria sob ocupação romana há 56 anos. Seus pais formavam um humilde casal radicado em Nazaré, na Província da Galiléia, ao Norte da Palestina. Tão insignificante era a Aldeia de Nazaré que sua localização não constava sequer nas cartas geográfi-cas de então. Tampouco a Bíblia a ela se refere. A notoriedade surgiu exatamente com Jesus, que por aqueles sítios cresceu e viveu num ambiente mental, social e religi-oso cheio de intolerância, despotismo, espoliações; extremamente tenso e inseguro; penosamente sobrevivendo sob o tacão romano e o inconformismo revoltoso dos zelo-tes.
Em criança, ouve falar dos excessos praticados particularmente por Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande -, o mesmo que O ameaçou em seus primeiros dias de vida no episódio da perseguição, que forçou seus pais a abandonarem apressadamente a Judéia em direção do Egito.
Desde pequeno, já em Nazaré, convive com a violência subversiva que campeia ao seu redor e, mesmo considerando sua fragilidade física, surpreende a todos com Seu sentido de observação e percepção. Não pode furtar-se, dada às circunstâncias e pequenez do lugarejo, ao encontro e diálogo com rebeldes e contestadores político-social, que se refugiam nas colinas da Galiléia. É assim que toma pé da tirania, opressão e desmandos perpetrados pelos dominadores e por seus parceiros judeus, convenientemente alçados ao poder civil e religioso.
Paralela às suas atividades de aprendizado na oficina de seu pai, Jesus desenvolve o conhecimento dos textos bíblicos na leitura da Torá, reservando-se desde cedo o dever de explicar as sagradas lições, emprestando-lhes significados e entendimentos até então não alcançados por seus ouvintes. Todos os que O ouviam, a exemplo da memorável tarde no Templo, quedam-se maravilhados com tanta sabedoria e fluidez espiritual.
Desenvolve-se fisicamente e no momento aprazado, às margens do Rio Jordão, sob o governo de Deus e sob irradiante amparo de altos dignatários espirituais, assume perante João Batista – seu precursor, a condição de Messias.
Sua vida é uma Epopéia Divina eivada de exemplos, atitudes e obras de bem-estar espiritual aos que se dispõem acompanhá-Lo.
Não foi um gigante místico, mas um ser humano que fala a nossa linguagem e que é capaz de amorosamente nos penetrar o coração.
É um Mestre, no sentido verdadeiro e absolutamente extenso do vocábulo, não só informando seus discípulos mas formando-os para a vida e para o Ministério Divino.
Seu ensinamento: o Perdão como a mais alta expressão da compreensão.
Sua mensagem: o Amor, o mais refinado dos sentimentos, ao qual se agregam a ternura, compaixão, zelo, partilha e relacionamento.
Deixou bem claro que não veio para os heróis, mas para aqueles que não aprenderam a falar por si mesmos, para os que têm medo de se expor, para os que vivem separados em seu próprio mundo, ilhados e que raramente comentam seus sonhos, mágoas, alegrias, frustrações, decepções e esperanças.
Thomas Edson nos propiciou a luz exterior, que do alto ilumina nossos lares e ruas: Jesus nos revelou a luz interior, com a qual iluminamos nossa face, nossa coração, nossos caminhos, nossa vida.
Sem se referir exatamente a isso, Ele deu a entender que pode ser difícil definir o perdão, e que é quase impossível definir o amor; no entanto, de ambos Ele é o mais soberbo retrato já pintado.
Com suas palavras deixou transparecer que todos nós somos anjos, porém com uma asa só. E que só poderemos alçar vôo quando abraçados uns aos outros.

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