Os fenômenos tidos como milagres na realidade
se produzem por força e em virtude do mediunismo,
e, em certas ocasiões, por efeito anímico.
___________________________________________________
A Transfiguração é o processo que enseja a transformação ou metamorfose do indivíduo, com alteração da figura, das feições e da forma, acarretando-lhe mudança na maneira de proceder, de pensar, de manifestar, de sentir. É um fenômeno no sentido lato da expressão e como tal se relaciona entre a variedade de fenômenos definidos como manifestações visuais.
Não é algo nada comum, e ainda que o seja, pode-se explicá-lo com razoável nível de entendimento se os argumentos se fundamentarem na ordem dos fenômenos naturais; entretanto, vale recordar que sob a rubrica da religião católica, foi o Pe. Frey Nicolao Diaz quem emprestou ao termo uma bibliografia de datação no Livro do Rosayro de Nossa Senhora, editado em Lixboa (Lisboa – Portugal), em 1573, com a página de referência fac similada e publicada pela Biblioteca Nacional de Lisboa, em 1982.
Não é algo nada comum, e ainda que o seja, pode-se explicá-lo com razoável nível de entendimento se os argumentos se fundamentarem na ordem dos fenômenos naturais; entretanto, vale recordar que sob a rubrica da religião católica, foi o Pe. Frey Nicolao Diaz quem emprestou ao termo uma bibliografia de datação no Livro do Rosayro de Nossa Senhora, editado em Lixboa (Lisboa – Portugal), em 1573, com a página de referência fac similada e publicada pela Biblioteca Nacional de Lisboa, em 1982.
Sob entendimento espírita, o fenômenos transfigurativos são todos aqueles que proporcionam à constituição física, razoável ou marcante alteração, mediante compulsão espiritual. Tais fenômenos se caracterizam como:
a)- mediúnico
b)- anímico
Mediúnico: Quando, sob influência extra-corpórea - do exterior do indivíduo para o seu interior e deste para o corpo físico. Isto ocorre nas situações em que o Espírito parece "dominar" o medianeiro, sobrepondo-se ao corpo espiritual deste ou, então, quase como num processo de hipnose, quando o médium assume a forma ou contornos acentuados do manifestante. Das faculdades medianímicas, a que melhor se presta ao fenômeno é a de psicofonia.
Anímico: Quando se projeta do interior do transfigurado, envolvendo-o por completo, operando sensíveis ou completa modificação de seus caracteres físicos às vezes transluzindo-os.
Abstração feita à transfiguração anímica, a transfiguração pode se relacionar em dois grupos:
1)- Transmutação
2)- Personação
Transmutação (ou licantropia) - Se denomina por transmutação o fenômeno em que se opera a metamorfose do homem em animal. Evidente que estes casos são aparentes e se dão tanto por força da própria vontade como também em consequência de impressionantes subjugações de espíritos inferiores.
Personação - Se denomina por personação a transformação fisionômica ou corporal do médium que passa a apresentar-se, na aparência e maneira de ser, como outra pessoa.
oOo
No campo mediúnico temos vários exemplos de fenômenos transfigurativos. Neste momento nos reportamos ao episódio detalhado no Livro dos Médiuns: Nos arredores de Saint-Etienne, pelos idos de 1858 e 1859 uma jovem de uns quinze anos tomava, em certos momentos, a aparência de pessoas desencarnadas; o fenômeno era completo que se acreditava ser a própria pessoa, pois a semelhança não se restringia só à fisionomia, como também operava modificações no olhar, na voz e na linguagem. Várias vezes a jovem tomou a aparência de seu irmão, morto alguns anos; tinha-lhe não apenas a figura, mas o talhe e o volume do corpo. Um médico, testemunha por diversas vezes desses efeitos, desejoso de tirar dúvidas, pesou a moça no seu estado normal, depois quando transfigurada em seu irmão mais velho que fora mais forte e maior que ela. O médico constatou que no estado de transfiguração o peso da moça era quase o dobro. Impossível, após isso, tentar atribuir a esse fato uma ilusão de ótica. Durante um tempo este fenômeno foi tido como milagre. Como observação e à margem do texto, indagamos: Quantos "milagres" desse jaez não existem e são cultuados misticamente por religiões ritualista, dogmáticas ou mesmo oportunistas?
Já no que diz respeito à personação, os que são habituais às sessões mediúnicas, sem que tenham se apercebido, várias vezes se defrontam com tal fenômeno, pois ele transforma - ou transfigura - um médium delicado, quando em transe, em alguém arquejado ou robusto que transmite aos assistentes a "impressão" de que o médium envelheceu ou adquiriu maior volume físico. Personação quer dizer mudança de pessoa (do latim "persona"). Existe ainda aqui dois tipos de personação: a profunda e a superficial. Na profunda o médium inteirinho se reveste de outra aparência; na superficial apenas alguns detalhes do corpo físico: a boca, a mão, a maneira de olhar, enfim os trejeitos característicos do comunicante.
Não há porque julgar o fenômeno da transfiguração mediúnica um atributo espiritual ou uma meta a ser conquistada, mesmo porque os mais complexos casos de transfiguração são encontrados nos processos obsessivos profundos e de longo curso quando a vontade dos obsidiados encontra-se subjugada por Espíritos entenebrecidos. Entrementes, há que se considerar outro ângulo, porque em termos de Doutrina Espírita não existem pontos irretocáveis: se a transfiguração não se caracteriza como uma faculdade de elevada projeção, não certifica e não subscreve uma atividade mediúnica subdesenvolvida ou mal envolvida.
A transfiguração por efeito mediúnico ou anímico é uma ocorrência natural que guarda razões de sobra para produzir-se e mesmo a mudança no timbre de voz do médium numa comunicação deve ser considerado como fato normal. Neste último caso, é natural que o médium, na psicofonia, permita ao Espírito manifestar-se sob os traços que o marcaram e o caracterizam quando encarnado, desde que dentro dos padrões determinados pelo bom senso, respeito e educação.
Reportando-nos à personação, cabe esclarecer tratar-se da mudança de um elemento para outro. Com relação à transmutação ou licantropia, sob parâmetros psicológicos é um processo de monomania - doença mental - pela qual o enfermo se supõe transformado em lobo ou outro animal. Segundo a crendice amplamente difundida é a transformação do indivíduo em lobisomem.
Sob conceituação e classificação espiritual, a personação é o processo em que o médium em determinado momento assume, sob efeito de um agente exterior, detalhes que lhe são estranhos, e a transmutação ou licantropia, é a desarmonização e desequilíbrio do Espírito que, sob ação de sua vontade ou de terceiros, toma aparência diferente de acordo com o seu posicionamento evolucional, indo desde o animal rastejante até uma flama divina.
Ainda com relação à licantropia, alguns não a consideram uma transfiguração mediúnica genuína, alegando que ao assumir determinada aparência o Espírito está sob processo de sugestão anímica, ou seja, ele próprio cria condições para tal e assim condicionado sofre as consequências de sua própria imposição. Geralmente, nestas situações, a atitude mental que comanda a ação e o remorso que martiriza o autor são poderosos agentes transfigurativos.
Outros, no entanto, defendem opinião de que este fenômeno é essencialmente mediúnico, trazendo-nos à consideração de que todos estes casos se dão em virtude de impressionantes subjugações de espíritos inferiores.
Ficamos com as duas correntes e as aceitamos conforme se nos apresente cada caso, pois em nosso entendimento, tanto é anímica (do indivíduo) como mediúnica (que se serve do indivíduo). Aceitamos, igua-mente, que a licantropia se qualifica não apenas na transmutação do homem para o animal, como também se opera em formas sublimes. Para estas questões apresentamos estes exemplos:
Transmutação anímica: No episódio dos reis Magos, quando um ou mais Espíritos assumiu (ram) a forma de estrela que guiou os viajantes até os sítios onde nascera Jesus; na festa de Pentecostes em que Espíritos transfiguraram-se em flamas; na ocasião em que, no rio Jordão, o Espírito Santo (leia-se Espírito Puro) no episódio do batismo, transfigurado numa pomba, símbolo na ocasião da pureza e candura, pousou sobre Jesus; no monte Horeb quando o anjo de Javé apareceu a Moisés numa chama de fogo do meio de uma sarça; a sarça ardia no fogo, mas não se consumia.
Transmutação mediúnica: Um dos exemplos nos é proporcionado pelo rei da Babilônia, Nabucodonosor, que sob compulsão violenta, caminhava como quadrúpede, alimentando-se de grama, ainda que a História não nos relate haver este rei, que governou seu país por 43 anos, assumido a aparência de suíno, que era o detalhe marcante nessa manifestação.
Não deixemos de lado os ovóides mencionados por André Luiz em sua extensa obra.
Quanto à Transfiguração, propriamente dito, sob comando anímico inúmeros místicos tornaram suas faces resplandecentes, mas dentre todos os que assumiram este caráter, a que nos apresenta maior oportunidade para reflexão é a de Jesus no monte Tabor.
Por falta de vocábulo apropriado mal nos expressamos sobre o fulgurante brilho do Espírito que entre nós se fez conhecer como Jesus; mas podemos idear, mesmo de forma anêmica, o que seja luminosidade espiritual ao compulsarmos as obras de André Luiz no relato das transfigurações luminosas porque passam determinados mentores quando se entregam a preces fervorosas.
O que deve ter ocorrido no episódio da Transfiguração no monte Tabor é que Jesus provocou um transbordamento espiritual que revestiu todo o seu físico de ofuscante luminosidade. Esta faculdade transfigurativa que está sempre sob a vontade e interferência direta do agente anímico é reservada, no geral, a Espíritos de alta sublimação moral.
O que deve ter ocorrido no episódio da Transfiguração no monte Tabor é que Jesus provocou um transbordamento espiritual que revestiu todo o seu físico de ofuscante luminosidade. Esta faculdade transfigurativa que está sempre sob a vontade e interferência direta do agente anímico é reservada, no geral, a Espíritos de alta sublimação moral.
oOo
A transfiguração, como vimos, abrange desde simples contração muscular, que dá à fisionomia uma outra expressão até o ponto de tornar a pessoa quase irreconhecível na sua aparência real. Lembremo-nos do episódio em que Jesus caminha transfigurado sobre as águas do Lago de Genesaré em direção aos discípulos.
A transformação não causa nenhum prejuízo ao médium, como no caso da jovem de Saint Etienne; a mulher poderá assumir no momento da transfiguração, aparência masculina e o homem, feminina, com expressões de jovialidade ou senilidade; de beleza ou fealdade, mas jamais deixará de ser aquilo que é, e seu peso real não aumentará nem diminuirá. A organização perispiritual, nestes casos, pode indicar o caminho para entender a diferença de peso observada pelo pesquisador médico.
Segundo Kardec, é admitido, em princípio:
Isto posto, com base nas mesmas alegações de Kardec, o Espírito, dentro do envoltório físico pode irradiar-se sobre o corpo envolvendo-o com as características ou luminosidade que deseje ou que lhe convenha. Um Espírito desencarnado, combinando os seus fluidos com os de um encarnado, pode-lhe substituir a aparência física por meio de uma camada fluídica habilmente manipulada e amoldada pelo primeiro. A diferença de peso se explica pela combinação de fluidos entre o encarnado e o desencarnado, atuando diretamente sobre a matéria, influenciando-a.
* que o Espírito pode impressionar ao próprio perispírito dando-lhe todas as aparências;
* que, através de uma modificação molecular pode dar-lhe visibilidade, tangibilidade e opacidade;
* que, o perispírito de um encarnado, isolado do corpo, pode sofrer as mesmas transformações; que essa mudança de estado se opera pela combinação de fluidos.
Isto posto, com base nas mesmas alegações de Kardec, o Espírito, dentro do envoltório físico pode irradiar-se sobre o corpo envolvendo-o com as características ou luminosidade que deseje ou que lhe convenha. Um Espírito desencarnado, combinando os seus fluidos com os de um encarnado, pode-lhe substituir a aparência física por meio de uma camada fluídica habilmente manipulada e amoldada pelo primeiro. A diferença de peso se explica pela combinação de fluidos entre o encarnado e o desencarnado, atuando diretamente sobre a matéria, influenciando-a.
Outrossim, sobra-nos, em linha paralela, um outro fenômeno, o dos agêneres que, por sua vez, é o processo pelo qual certos Espíritos se revestem por tempo curto ou relativamente longo, das formas de uma pessoa encarnada, ao ponto de ocasionar uma ilusão completa, mas isto já é tema para outra oportunidade.
NOTA: Publicado na Revista Internacional de Espiritismo - RIE
_____________
Bibliografia:
Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns, cap. VII, 2ª parte, IDE, 2ª edição.
Tamassia, M.B. - Você e a Mediunidade, cap. XVIII, Casa Editora O CLARIM, 1ª edição.
Fernandes, Odilon / Bacelli, Carlos A. - Mediunidade e Evangelho, cap. XII, IDE, 1ª edição.

Nenhum comentário:
Postar um comentário