sexta-feira, 9 de abril de 2010

PSIU... - Autor: Gérson Gomide


Você não é feliz?

O que lhe falta? Dinheiro, amor, companhia, supérfluos?

Saiba que muitos que prescindem de órgãos e sentidos perfeitos e muitos dos que vivem em permanente penúria não se perdem em lamentações estéreis.

É bom considerar, sob o argumento da lógica e da razão:

* quanto o mudo, tendo, daria se pudesse falar como você fala; 

* quanto o cego almeja enxergar a linha do horizonte com o mesmo colorido e desenvoltura que você o faz;

* quanto o surdo anseia ouvir o trinado do pássaro, o cântico da voz humana ou o alento da mãe, no mesmo ritmo em que a você é permitido;

* quanto o paralítico deseja seguir o caminho através dos próprios passos e que eles fossem tão decididos quanto as suas passadas.

É bastante razoável considerar a penúria do prato vazio diante do filho faminto; o padecer de quem será mãe, sem conseguir ajuntar roupas para o filho que lhe acena o nascimento; desça o olhar ao maltrapilho no meio-fio da vida, objeto de escárnio e repulsa; avalie a insegurança do pequeno órfão que sente falta do afago da mãe e a proteção do pai; pondere sobre o permanente estado de inquietação quando o álcool, o jogo e a droga ameaçam um lar; leve em conta quão dolorida é a morte que separa os que se amam; pense no desespero daqueles que açoitados pela depressão se encaminham ao patíbulo do suicídio; medite sobre o malefício da violência que ensombra a família.

Considere que se alguém aparenta ser mais feliz que você, outros não tem sequer moti-vos para nutrir esperanças e ainda assim sobrevivem, ainda assim sorriem, ainda assim dão lições de vida. Considere o quanto lhe sobeja e aprenda distribuir sorrisos, esperança, con-fiança.

Todo momento é ocasião de trabalho renovador e alguém só se renova intimamente quando beneficia outrem com atitudes e gestos de fraternidade.

A verdadeira felicidade não permite buscas infrutíferas, permite, isto sim, repartir-se aos que nada obtêm sem o apoio de outrem. Todo momento de agonia alheia é tempo propício para se lhe fazer ressurgir a esperança. A hora do trabalho beneficente não está nos momentos disponíveis, mas no instante em que uma vida se desequilibra ou corre perigo.

Se você ainda não consegue ser feliz leve em conta que pode ser o mensageiro da fe-licidade que se realiza na caridade de palavras consoladoras, na abnegação do voluntariado, no agrupamento de sentimentos solidários. Edifique e dê curso à vida segundo a pauta do amor porque todos os que o almejam têm que aprender a vivenciá-lo na de-senvoltura da fraternidade, no repouso da paz, na força do companheirismo.

Sem dúvida que todos nós temos algo a dar e, merecidamente, a receber e, em nome da felicidade que tanto ansiamos que assim seja...

Para sempre!

Nenhum comentário:

Postar um comentário