O que lhe falta? Dinheiro, amor, companhia, supérfluos?
Saiba que muitos que prescindem de órgãos e sentidos perfeitos e muitos dos que vivem em permanente penúria não se perdem em lamentações estéreis.
É bom considerar, sob o argumento da lógica e da razão:
* quanto o mudo, tendo, daria se pudesse falar como você fala;
* quanto o cego almeja enxergar a linha do horizonte com o mesmo colorido e desenvoltura que você o faz;
* quanto o surdo anseia ouvir o trinado do pássaro, o cântico da voz humana ou o alento da mãe, no mesmo ritmo em que a você é permitido;
* quanto o paralítico deseja seguir o caminho através dos próprios passos e que eles fossem tão decididos quanto as suas passadas.
É bastante razoável considerar a penúria do prato vazio diante do filho faminto; o padecer de quem será mãe, sem conseguir ajuntar roupas para o filho que lhe acena o nascimento; desça o olhar ao maltrapilho no meio-fio da vida, objeto de escárnio e repulsa; avalie a insegurança do pequeno órfão que sente falta do afago da mãe e a proteção do pai; pondere sobre o permanente estado de inquietação quando o álcool, o jogo e a droga ameaçam um lar; leve em conta quão dolorida é a morte que separa os que se amam; pense no desespero daqueles que açoitados pela depressão se encaminham ao patíbulo do suicídio; medite sobre o malefício da violência que ensombra a família.
Considere que se alguém aparenta ser mais feliz que você, outros não tem sequer moti-vos para nutrir esperanças e ainda assim sobrevivem, ainda assim sorriem, ainda assim dão lições de vida. Considere o quanto lhe sobeja e aprenda distribuir sorrisos, esperança, con-fiança.
Todo momento é ocasião de trabalho renovador e alguém só se renova intimamente quando beneficia outrem com atitudes e gestos de fraternidade.
Se você ainda não consegue ser feliz leve em conta que pode ser o mensageiro da fe-licidade que se realiza na caridade de palavras consoladoras, na abnegação do voluntariado, no agrupamento de sentimentos solidários. Edifique e dê curso à vida segundo a pauta do amor porque todos os que o almejam têm que aprender a vivenciá-lo na de-senvoltura da fraternidade, no repouso da paz, na força do companheirismo.
Sem dúvida que todos nós temos algo a dar e, merecidamente, a receber e, em nome da felicidade que tanto ansiamos que assim seja...
Para sempre!

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