A ingratidão, entre as atividades do coração, alinha-se com destaque àquelas que o negam como a sede das virtudes.
Para uso cotidiano, consideramos os benefícios catalogados com caracteres de favorecimento deveriam ser devolvidos, sob o rigor da reciprocidade, com o mesmo aspecto e igual volume. Assim não é! Não é, porque a humanidade ainda está incapacitada em se comunicar no mesmo idioma; portanto, não consegue responder de forma inteligível.
Foi prática entre vizinhos e amigos, hoje quase em desuso, devolver a vasilha que levou de presente o doce ou o salgado, com qualquer iguaria ou fruta; às vezes o vasilhame demorava em retornar pela dificuldade em provê-lo da gratidão material configurada na retribuição do alimento. Prato vazio? Jamais! Prato guarnecido e ainda: “Deus lhe pague...”
Por mais que se procure entender, é difícil aceitar a resposta ingrata à concessão de benefícios. Sabemos, entretanto, que a ingratidão em toda ocasião é do mesmo tamanho do benefício. Ademais, sempre fica a certeza de aquele que presta auxílio é uma alma emancipada sob o aspecto da bondade, ao passo que quem responde à graça com o silêncio, indiferença ou mesmo com agressão, sem dúvida, é um espírito nanico.
Independentemente de qualquer outra consideração, quando alguém sob o impulso da bondade se permite conceder favores não está buscando recompensas ou aplausos e assim sendo não reclamará reciprocidade ou reposição, entretanto, ficaria desde logo feliz se recebesse um sorriso. A verdade é que a grande maioria ainda não está preparada para receber, muito embora grande parte já o esteja para conceder.
Um dia todos aprenderão que a gratidão tem forças e poder para perpetuar-se nos mais variados ní-veis e planos da vida, porquanto é patrimônio espiritual de todos os que praticam o bem e que, na maioria das vezes, não olham a quem.
O benefício enobrece o indivíduo que oferta o recurso e a gratidão individualiza a nobreza de quem o recebe. Disse alguém muito especial que fora da caridade não há salvação e nós entendemos que fora da gratidão também!
A todos que convenientemente esquecem os atos de desprendimento que os favoreceram recordamos que a ingratidão é pequena semente que um dia brotará e se tornará árvore de frutos amargos e abundantes, único alimento que servirá ao ingrato, então compulsoriamente compelido a digeri-los um a um sentindo-lhe o amargo sabor e o sofrido efeito.
Autor: Gérson Gomide
Nenhum comentário:
Postar um comentário