Na vida cometemos os maiores erros de que somos capazes. Isto acontece com todos, mas não é me-nos certo que também conseguiremos alcançar enormes feitos se houver determinação, eis que contraria-mente à afirmação do pessimista, o mundo não está perdido; este, o indivíduo inapto, é quem está perdido no mundo sem encontrar a porta de entrada para o desenvolvimento pessoal e moral ou sem conseguir descobrir onde fica a porta de saída para despachar suas preocupações e angústias.
Grande parte das justificativas do ser humano se prende ao escapismo ou à transferência de culpa. Em tais casos, caracteriza-se a fuga da responsabilidade. Essa atitude é o atestado de que o faltoso nada fará para corrigir o que fez errado. No escapismo, o indivíduo simplesmente foge. Na transferência de culpa, se justifica ou se desculpa apontando outro como responsável pelo seu erro. Nos dois casos se protege com uma mentira, e a mais perniciosa das mentiras é a que se conta a si próprio.
Para sobrevivência em qualquer faixa de tempo e espaço é imprescindível uma boa dose de inocência e ingenuidade que são próprias das crianças; portanto nunca é tarde para viver uma infância feliz, ainda que adulto. É necessário construir castelos e viver neles; estruturar fantasias e dar azo ao romantismo; se entre-gar a sonhos e realizá-los, porque aquele que faz da realidade um sonho é um roteirista bem acabado e aquele que transforma o sonho em realidade, é um personagem completo.
Para que a vida em sociedade – ampla ou restrita - seja sadia, há necessidade de entendimento, de propostas e de esforços e isso me faz lembrar um fato verídico de alguém que sempre foi criador de gado e que tinha um filho formado em engenharia.
O filho, desejoso de colocar agrado em suas conversas com o pai, tornou-se assinante de uma revista sobre criação de gado. Não é necessário dizer que as conversas entre os dois se tornaram cada vez mais interessantes; entretanto, o filho nunca revelou o segredo ao pai.
Numa das visitas ao pai, o filho, por um motivo qualquer, foi até um pequeno quarto que, na realidade era um depósito doméstico. Remexendo em alguns livros e revistas, deparou-se surpreso, num dos cantos do cômodo, diversos exemplares de revista de engenharia que o pai vinha assinando há dez anos... Ambos falavam a mesma língua, a do entendimento.
A vida, na totalidade do tempo se vincula a pessoas, fatos e situações que nos distinguem de forma es-pecial. Por isso cada um tem que ser especial, adequar-se aos preceitos necessários e essenciais para entrar na posse de sorrisos para não ser penalizado com lágrimas. No contexto geral, é necessário reler a parábola do joio e do trigo, executando rotineiramente a norma de conduta nela recomendada. Desde sem-pre estamos para obedecer aos mandamentos, quer divino, quer humanos, e quase nunca habilitados a dar ordens. Você pode não acreditar e apesar disso veja que quando se é criança, tem que se fazer o que o pai manda; na escola, o que o professor manda; no emprego, o que o chefe manda e quando aposentado, o que o médico manda. Você pode até não os obedecer, mas a sua vida se tornará mais estreita e sofrida, talvez até mesmo mais curta.
A vida seria, numa analogia bastante assimilável, como uma quadra de esportes, cujo atleta que a ela se adentra deve ter bom preparo, boa visão, jogo de cintura, paciência, capacidade de decisão e bastante determinação. A derrota é o apenamento; a vitória, o recompensa.
Entendimento, esta é a palavra chave ou a boa solução para os conflitos. O grande laço que une o do-no ao seu cão não é a fidelidade deste, ou seu encanto – que estão sempre presentes, ou qualquer outra coisa que o distinga, mas sim o fato de o cão não criticar o seu dono(*). W. Somerset Maugham nos afirma que poucos imaginam que um pouco de bom senso, um pouco de tolerância e um pouco de bom humor, podem tornar agradável a nossa permanência neste planeta.
Sob outro sentido de vista, quem disse que o importante é competir; que ganhar ou perder não impor-ta, provavelmente perdeu, mesmo porque nós viemos ao mundo para vencer, e vencer as nossas fraque-zas, limitações, dificuldades, tentações, vencer no emprego, vencer no lar, vencer o espelho e o mais impor-tante, vencer as nossas impropriedades.
Para encerrar, recordo três afirmações:
1. Todos os cogumelos são comestíveis. Alguns só uma vez.(**) Portanto, é recomendável cautela em todas as ações.
2. Tudo se torna mais fácil com a prática – menos levantar de manhã.(***) Portanto, você não está so-zinho, continue tentando.
3. O amor é a única coisa que aumenta quando partilhada. Portanto, não economize... Ame.
Autor: Gérson Gomide
(*) Sydnei J. Harris.
(**) Marchelo Cherto.
(***) Dave Estman
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