sábado, 19 de setembro de 2009

O TREM DA VIDA


Com o passar dos anos passei a perceber que nossa vida é realmente como uma viagem de trem.

Cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes, de algumas paradas, de surpresas agradáveis e de doloridas tristezas.

Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que acreditamos farão conosco a viagem até o fim do seu percurso: São exatamente os nossos pais, os responsáveis pela nossa vinda ao mundo terreno.

Infelizmente, em alguma estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seu carinho de sua proteção, de seu amor, de sua fiel dedicação e afeto.

Passamos, então, a seguir esta viagem da vida sozinhos..., mas isso não impede que, durante o trajeto, embarquem pessoas interessantes, amáveis, que nos serão especiais, algumas vezes sob o perfil de irmãos, amigos, professores, instrutores em outras ocasiões, como grandes amores...

E assim a viagem prossegue.

Muitas pessoas tomam esse trem a passeio, só preocupadas com o que veem janela a fora, sem dedicar atenção e tempo ao vagão, propriamente dito. Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. Outras para incomodar os demais passageiros. E ainda outras que nem percebem a importância da viagem; entretanto há os que passam de vagão em vagão, prontos para ajudar quem precisa.
Uns, quando chegam ao fim do percurso deixam saudade eterna. Outros viajam no trem de tal forma que, quando desocupam seus assentos, ninguém sequer percebe quem o ocupou.

Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso nos obriga a fazer esta viagem em apartado deles. Mas nada disso nos impede de, com grande dificuldade atravessarmos o vagão e chegarmos até eles, porque são estes que nos dilatam o afeto, os quais enxergamos sempre de perto ainda que longe dos olhos; são esses os que cutucam nossa saudade e fazem dela um hino. O difícil é aceitarmos que não possamos nos sentar ao seu lado, pois outra pessoa está no lugar que gostaríamos de ocupar.

E assim é essa viagem...Cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperanças, realizações, esperas, desilusões, sofrimentos, alegrias, carências, sorrisos, lágrimas... Embarques e desembarques.

Sabemos que esse comboio leva passageiros e suas bagagens e ainda que alguma dessa bagagem fique esquecida ou perdida num dos vagões, ou mesmo que o seu dono queira dela se livrar porque muito pesada, ela continuará a pertencer-lhe e o seu conteúdo jamais se apartará do seu proprietário.

Esse trem jamais volta pelo mesmo trilho e muitos parecem sequer atinar com isso e o grande mistério que paira é que não sabemos em qual estação desembarcar .E ao descer desse trem, sentiremos saudades? Deixaremos saudades?

Eu fico, por vezes pensando: "Desembarcar e deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste, mesmo porque nesse trem viaja toda espécie de gente - do malfeitor ao santo". E nesses momentos de pensamentos dispersos, imagino que é extremamente difícil reconhecer a perversidade e então me ponho em relação mais íntima com o Infinito, confiando na Providência Divina.

Separar-me dos amigos com quem embarquei ou com os outros que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim muito dolorido; mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com bagagem que não tinham quando embarcaram. E o que me deixará feliz é saber que de alguma forma eu colaborei para que essa bagagem tenha se avolumado e se tornado valiosa. O que me agrada é que por mim também haverão outros no aguardo de meu desembarque, prontos para me ajudar com a bagagem.

Agora, neste momento, o trem diminui a velocidade para que desembarquem e embarquem outras pessoas.

Minha expectativa aumenta, à medida que o trem vai se tornando cada vez mais lento...

Quem entrará?

Quem saltará?

E assim esta viagem continua seu trajeto para nos levar ao nosso destino.

Resta-me, por extensão, agradecer, e muito, pelos passageiros especiais:meu pai, irmãos, tios, sobrinhos, enfim, a todos aqueles que por laços familiares embarcaram nesse mesmo trem, deixando-me um lugar na janela. Agradeço a todos aqueles que me acompanham nessa viagem, que repartem comigo suas histórias, sua arte, suas palavras, seu tempo, seu afeto. Mas, em especial, agradeço a minha querida mãezinha que ainda viaja comigo, pois foi ela que me ensinou a sobreviver, a construir, a ter fé, coragem, paciência; foi ela que no momento em que quase sofri um acidente, fez com que a viagem se tornasse menos cansativa; deixou-me repousar em seu colo.

Hoje ela repousa no meu.

E por mais que os assentos de alguns destes não estejam mais lado a lado ao meu, estão, com certeza, lado a lado em meu coração.

Autor Desconhecido. Texto Original: "Vagão", divulgado pela Internet. Adaptado e contado por Cynthia Ebaid – Readaptado e recontado por Gérson Gomide

2 comentários:

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